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Restaurantes sem crianças: conforto ou exclusão? Tendência 'adults only' provoca debate na gastronomia

10h agopt

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Extra OnlineRestaurantes sem crianças: conforto ou exclusão? Tendência 'adults only' provoca debate na gastronomiaglobo.com
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A ideia de restaurantes criarem ambientes ou horários exclusivos para adultos voltou a ganhar espaço no debate sobre comportamento e consumo. A discussão, que já aparece em alguns países, coloca em questão um dilema da vida contemporânea: como equilibrar diferentes formas de aproveitar uma refeição fora de casa sem transformar a experiência em uma disputa entre famílias e outros clientes? Confira: Chef brasileira coloca ChatGPT à prova com receita de feijão da infância e resultado surpreende Vegetarianos em restaurantes: chef brasileira explica o que está por trás das adaptações no cardápio Antes da primeira garfada, vem a foto: como a estética mudou a forma de comer Um levantamento da Lightspeed Commerce, repercutido pela "Fox News", apontou que 75% dos consumidores nos Estados Unidos apoiam algum formato de experiência gastronômica sem crianças, principalmente em jantares românticos, ambientes noturnos e espaços voltados para bebidas. Para a chef Cândida Batista, que atua em Viena e tem experiência em cozinhas do circuito Michelin, o tema não deve ser interpretado como uma rejeição aos pequenos, mas como uma reflexão sobre a proposta de cada restaurante e as expectativas de quem frequenta esses espaços. Segundo a chef, uma refeição vai além do prato servido à mesa. A iluminação, o som, o ritmo do serviço, a privacidade e a atmosfera do salão também fazem parte da experiência oferecida ao cliente. Em alguns formatos, como menus degustação, casas com forte atuação em coquetelaria ou restaurantes voltados a uma vivência mais contemplativa, o ambiente assume um papel tão importante quanto a gastronomia. Por isso, Cândida defende que a discussão não seja reduzida à ideia de permitir ou proibir crianças em restaurantes. Para ela, o ponto central está na relação entre a proposta da casa e o comportamento esperado naquele espaço. "Não se trata de rejeitar crianças. A questão é preservar a experiência dos outros clientes. Uma criança que consegue estar à mesa, participar da refeição e entender o ambiente não costuma ser o problema. O desconforto acontece quando há situações que interferem no salão, como volume alto de aparelhos eletrônicos, circulação constante pelo espaço ou dificuldade de permanecer à mesa por longos períodos. Nesse caso, a experiência deixa de funcionar para todos", afirma. O debate também envolve uma diferença importante entre criar experiências direcionadas e adotar uma restrição absoluta. Horários específicos, áreas reservadas ou eventos voltados ao público adulto podem ser alternativas para restaurantes que desejam oferecer diferentes propostas, desde que a comunicação seja clara e cuidadosa. No Brasil, a discussão tende a ganhar contornos próprios por envolver questões de convivência, acesso a espaços públicos e hábitos culturais. Para Cândida, caso restaurantes brasileiros adotem modelos inspirados no conceito "adults only", será necessário encontrar equilíbrio. "Hospitalidade também é saber receber públicos diferentes em momentos diferentes. O ponto não é excluir, mas entender que nem toda experiência gastronômica tem a mesma finalidade. Um restaurante familiar, uma trattoria de domingo, um bar de coquetéis e uma casa de menu degustação têm propostas distintas", explica. Para a chef, a gastronomia pode caminhar para uma segmentação mais clara de experiências, desde que exista transparência na comunicação. "O restaurante precisa saber qual experiência quer oferecer e deixar isso claro. Existem lugares em que a presença de crianças faz parte da identidade da casa, enquanto outros são procurados por quem busca silêncio, tempo e intimidade. A gastronomia é feita de comida, mas também de ambiente, intenção e expectativa", conclui.

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