Pornografia é realmente viciante? Veja o que diz a ciência
3h agopt
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Pornografia é um tema que tendemos a evitar discutir — seja na escola, no trabalho ou à mesa de jantar. Mas na Austrália, aproximadamente três quartos dos homens (76%) e mais de um terço das mulheres (41%) relatam ter visto material pornográfico no último ano. Adriane Galisteu ensina receita de 'aveioca' para turbinar o consumo de fibras na dieta OMS: 92% da população global será impactada pelo câncer; entenda E entre os australianos de 15 a 20 anos, mais da metade (54%) dos jovens do sexo masculino e quase um quinto (14%) das jovens do sexo feminino relatam acessar pornografia semanalmente. Você pode ter ouvido o termo "vício em pornografia" sendo usado para descrever o consumo excessivo de pornografia, de maneiras que perturbam a vida da pessoa ou a vida daqueles ao seu redor. Mas será que a pornografia realmente vicia? As pesquisas atuais sugerem que a resposta é bastante complexa. O debate sobre pornografia Para muitas pessoas, assistir pornografia é um comportamento bastante comum. Outras, no entanto, consideram isso problemático. Uma pesquisa de 2025 examinou os efeitos da pornografia na saúde mental, emocional e física das pessoas. A conclusão foi que a pornografia não é inerentemente prejudicial. No entanto, ela pode impactar as pessoas de maneiras diferentes, dependendo do que retrata, de quem a consome e de como é consumida. O uso excessivo de pornografia pode se tornar um problema se afetar o funcionamento da pessoa no dia a dia. Para descrever isso, pesquisadores e clínicos usam o termo "uso problemático de pornografia". Isso se refere à incapacidade de controlar o consumo de pornografia, apesar de repetidas tentativas, e à ocorrência de consequências negativas como resultado. Uma pesquisa global revelou que entre 3% e 15% das pessoas podem apresentar problemas com o uso de pornografia. E essas dificuldades são geralmente mais comuns entre os homens. O que causa isso? O uso problemático de pornografia é uma questão complexa e influenciada por diversos fatores. Entre eles, estão condições pré-existentes de neurodesenvolvimento e saúde mental, como TDAH ou depressão. Certos traços de personalidade, como impulsividade e baixo autocontrole também podem contribuir. Fatores sociais e culturais, como baixa satisfação nos relacionamentos, isolamento social e influências religiosas, também são relevantes. Pessoas que se sentem sozinhas ou que não possuem apoio emocional correm maior risco de desenvolver esse problema. Mito ou verdade: maçã cozida vira trend nas redes como melhor opção para a saúde que a fruta crua Para muitas pessoas com problemas de uso de pornografia, o consumo desse tipo de conteúdo pode se tornar um ciclo vicioso que desvia a atenção de seus relacionamentos e responsabilidades diárias. Por exemplo, o uso excessivo de pornografia pode levar à perda do emprego devido ao baixo desempenho. A pessoa também pode se isolar de amigos e familiares. Essas consequências frequentemente pioram a saúde mental e o funcionamento diário, tornando ainda mais difícil controlar o consumo de pornografia. As pessoas podem vivenciar o uso problemático de pornografia de diferentes maneiras. Pesquisadores sugeriram diversas apresentações-chave, incluindo: Compulsividade: definida como um forte desejo, difícil de resistir, por pornografia, particularmente para aliviar a tensão ou ansiedade acumuladas. Impulsividade: que leva a envolvimentos rápidos e espontâneos com pornografia sem considerar as consequências, por exemplo, usar pornografia em um computador do trabalho. Desregulação emocional: quando uma pessoa recorre à pornografia para lidar com emoções difíceis como estresse, tédio ou solidão. Experiências semelhantes ao vício: como ter desejos intensos e/ou precisar de conteúdo mais extremo para se sentir satisfeito. A pornografia realmente vicia? O uso problemático de pornografia é atualmente considerado um tipo de transtorno de comportamento sexual compulsivo. Esses transtornos são caracterizados pela incapacidade de controlar impulsos sexuais intensos e repetitivos por pelo menos seis meses, a ponto de negligenciar as responsabilidades diárias. Nesta fase, o uso problemático de pornografia não é formalmente reconhecido como um vício. Não está incluído como vício na Classificação Internacional de Doenças da OMS nem no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, dois sistemas internacionais utilizados para definir e diagnosticar condições médicas. É importante destacar que a pesquisa sobre esse tema cresceu drasticamente desde a publicação desses manuais. Evidências, incluindo uma recente revisão internacional, sugerem que o uso problemático de pornografia pode, em alguns casos, funcionar como um vício. Um ano sem celular na escola: o que a pesquisa do MEC nos mostra Crescem os apelos para classificar o uso problemático de pornografia como um vício comportamental, o que o colocaria na mesma categoria de outros comportamentos viciantes online, como o vício em jogos de azar e os transtornos relacionados a jogos eletrônicos. Esses comportamentos ativam áreas semelhantes do sistema de recompensa do cérebro. No entanto, atividades como beber água desencadeiam uma resposta similar, por isso é importante considerar essa pesquisa dentro de seu contexto. O recente e emblemático julgamento sobre vício em redes sociais nos Estados Unidos concluiu que as gigantes da tecnologia Meta e Google projetaram suas plataformas para serem intencionalmente viciantes. Componentes de design semelhantes também são usados em muitos sites populares de vídeos pornográficos — plataformas gratuitas onde vídeos pornográficos são carregados e assistidos. A pornografia moderna na internet oferece acesso ilimitado à novidade sexual, permitindo que as pessoas alternem entre abas e busquem continuamente novos conteúdos durante as chamadas "maratonas". Pesquisas mostram que ambos os comportamentos podem ser fatores de risco para o uso problemático de pornografia. No entanto, há motivos para cautela ao descrever o uso problemático de pornografia como um vício. Pesquisas mostram consistentemente que muitas pessoas se autodeclaram viciadas em pornografia, mesmo que seu uso seja infrequente e geralmente controlado. Isso se deve à incongruência moral, que ocorre quando uma pessoa possui fortes convicções morais ou religiosas contra a pornografia, mas continua a consumi-la. Isso pode causar sofrimento significativo ou uma forte sensação de vício, mesmo com uso controlado, e tem sido associado a diversas condições de saúde mental subjacentes. O que você pode fazer Se você ou um ente querido acham que o seu consumo de pornografia é problemático, aqui estão algumas medidas práticas que vocês podem tomar. Analise o que está motivando esse comportamento para garantir que você receba o tratamento adequado. Por exemplo, trata-se de uma perda genuína de controle, conflitos morais sobre o uso de pornografia e/ou condições subjacentes como depressão? Procure um profissional qualificado especializado em problemas com pornografia. Psicólogos podem avaliar se o seu consumo é mais compulsivo, impulsivo ou se assemelha a um vício. Eles podem sugerir tratamentos baseados em evidências, como a terapia cognitivo-comportamental. Sexólogos e terapeutas sexuais também podem ajudá-lo a entender como você se relaciona com a pornografia e a desenvolver comportamentos mais saudáveis. Esteja ciente de que existe uma quantidade significativa de desinformação neste campo, inclusive proveniente de terapeutas e coachs não qualificados que não utilizam abordagens baseadas em evidências. Aborde qualquer conversa sobre o uso de pornografia com respeito e cuidado, pois esse tema pode gerar fortes sentimentos de vergonha, medo ou culpa. Danielle Thielke é candidada a doutorado em Bem-estar Sexual na Universidade Edith Cowan; Campbell Ince é candidado a doutorado na Escola de Ciências Psicológicas da Universidade Monash; e Giselle Woodley é sexóloga, professora e pesquisadora em Comunicação e Cultura na Universidade Edith Cowan. * Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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