Com a chegada dos meses mais frios, a combinação entre temperaturas baixas, vento e ar seco impõe um desafio extra à saúde da pele. Se a hidratação já faz parte da rotina básica de cuidados ao longo do ano, no inverno ela se torna ainda mais essencial, especialmente no caso da pele negra, que apresenta características próprias e pode reagir de forma mais intensa às mudanças climáticas. Saiba: Por que o inverno é considerado o melhor momento para investir em tratamentos de pele Entenda: Por que o inverno pode alterar a resposta da pele a certos tratamentos De acordo com o dermatologista Cauê Cedar, especialista em Pele Negra pelo Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay (RJ), essa é uma estação que exige disciplina e atenção constante para evitar alterações como ressecamento, irritações e hiperpigmentações. As condições típicas do inverno interferem diretamente na barreira de proteção cutânea. A redução da umidade do ar e a queda na atividade das glândulas sebáceas favorecem a perda de água, deixando a pele mais vulnerável. Na pele negra, esse processo pode se tornar ainda mais evidente, com perda de viço e aparência mais opaca. "Qualquer irritação, coceira ou ressecamento pode deixar manchas escuras residuais, que muitas vezes permanecem por meses. Por isso, é fundamental tratar rapidamente qualquer alteração da pele durante o inverno", explica. O especialista destaca que a pele negra possui particularidades na estrutura da barreira cutânea, o que influencia sua capacidade de retenção de água. A menor presença de ceramidas — lipídios essenciais para a hidratação — contribui para um ressecamento mais perceptível, que pode se manifestar também por um aspecto acinzentado ou esbranquiçado. Além disso, fatores como vento, ar seco e menor produção de oleosidade natural intensificam a perda de água, fragilizando ainda mais a proteção da pele ao longo da estação. Para reduzir esses efeitos, o dermatologista recomenda uma rotina simples, mas constante, de cuidados diários. Isso inclui limpeza suave, uso de hidratantes adequados e aplicação de protetor solar mesmo em dias nublados ou de baixa incidência solar. Ao final do dia, reforçar a hidratação e evitar agressões térmicas faz diferença no equilíbrio da pele. Os banhos quentes, comuns no inverno, são apontados como um dos principais agravantes do ressecamento. A alta temperatura da água remove a camada lipídica natural que ajuda a manter a pele protegida. "Na pele negra, que já possui menos ceramidas naturalmente, esse efeito tende a ser ainda mais perceptível", afirma. Segundo ele, o ideal é optar por banhos mornos e de curta duração, entre cinco e dez minutos, sempre seguidos da aplicação de hidratante. A alimentação também entra como aliada na manutenção da saúde cutânea. Nutrientes como ômega-3 e vitaminas A e C ajudam a fortalecer a barreira da pele, enquanto o consumo excessivo de açúcar, álcool e ultraprocessados pode favorecer processos inflamatórios e piorar o aspecto geral. Outro ponto que exige atenção especial são os lábios, que não possuem glândulas sebáceas e, por isso, sofrem mais com o clima seco. O uso frequente de hidratantes específicos, a proteção solar labial e o cuidado para evitar o hábito de lamber ou puxar peles ressecadas ajudam a prevenir fissuras. Embora existam diferenças de comportamento entre homens e mulheres em relação à rotina de cuidados, o dermatologista reforça que a atenção deve ser universal. "De forma comportamental, homens historicamente usam menos produtos e fazem limpeza mais agressiva (sabão em barra, banho mais quente), hábito que agrava o ressecamento no inverno. Já as mulheres usam mais maquiagem, o que exige dupla limpeza, mas também tendem a ter rotina de hidratação mais estabelecida. Não é que um sexo precise mais de cuidados do que o outro. Os pontos de atenção apenas são diferentes, mas a hidratação e a proteção da pele são fundamentais para todos", conclui.
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