Morre o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos
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Extra OnlineMorre o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anosglobo.comMorreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa. Ele estava internado no Hcor, em São Paulo, para tratar um quadro de insuficiência renal crônica (IRC), doença com a qual ele convivia há cerca de três anos. Recluso em suas últimos anos, Ruy Barbosa vinha lutando com problemas de saúde. Em 2025, chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Associação Beneficente Síria Hospital do Coração (Hcor), em São Paulo, para tratamento de uma insuficiência renal crônica. Recentemente, o autor retornou ao hospital para tratar de uma infecção urinária. Nascido na pequena cidade Gália, no interior de São Paulo, em 1 de abril de 1931, Benedito Ruy Barbosa passou boa parte da infância na cidade vizinha de Vera Cruz, região marcada com cafezais e com grande concentração de imigrantes japoneses e italianos. Mais velho de cinco irmãos, Benedito teve a infância marcada pela perda precoce do pai, o jornalista Otávio Barbosa, que faleceu aos 29 anos, em 1942. Para ajudar a mãe, Aurora Medeiros Barbosa, o então garoto começou a trabalhar como auxiliar de guarda-livros da firma comercial Antônio Perez. Sem perspectivas no interior, se muda sozinho para São Paulo, onde passa a estudar durante a noite e trabalhar de dia, em escritório que a mesma firma mantinha na capital. Se dividindo entre o estudo e três trabalhos — como vendedor de verduras na feira e faxineiro em um banco —, ele busca a família no interior e passa a dividir com a mesma um cortiço no bairro do Bom Retiro, em SP. Mais tarde, Benedito assume cargo no departamento comercial da Antônio Perez, em Maringá, no Paraná, por onde trabalha por dois anos. O autor retorna à capital paulista em 1954, após passar em seleção do jornal Estado de São Paulo para atuar como revisor. Na sequência, estreia como repórter no caderno de esportes do jornal Última Hora. Trabalhou ainda como repórter na Gazeta Esportiva e foi redator de publicidade da Radial Propaganda. Ainda inspirado pela vida no Sul do país, o jovem escreveu seu primeiro romance: "Fogo frio". O texto ganhou adaptação de sucesso nos palcos paulistas sob direção de Augusto Boal no Teatro de Arena, em 1959, chegando a conquistar o prêmio principal da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Com o bom desempenho da obra, o autor foi convidado para trabalhar como roteirista na agência J. W. Thompson, passando a cuidar das novelas patrocinadas pela Colgate-Palmolive. Em 1966, Benedito Ruy Barbosa escreveu sua primeira novela: "Somos todos irmãos", uma adaptação do romance "A vingança do judeu", de J. W. Rochester, exibida pela TV Tupi. Nos anos seguintes, trabalhou na Excelsior e na Record, até ser contratado pela TV Cultura, em 1971. No mesmo ano, escreveu a novela "Meu pedacinho de chão", produzida em parceria pela Globo e exibida simultaneamente pelas duas emissoras. Na obra, Benedito evocou pela primeira vez o cenário rural que marcaria tantas de suas histórias. O autor foi contratado definitivamente pela Globo em 1976, quando assinou para escrever "O feijão e o sonho", novela que fez sucesso no horário das 18h, faixa que ele viria a ficar marcado. Nos anos seguintes, vieram "À sombra dos laranjais" (1977), adaptação de peça homônima de Viriato Correia, e "Cabocla" (1979), inspirada em romance de Ribeiro Couto. No início dos anos 1980, o autor tem breve passagem pela TV Bandeirantes, onde escreve "Os imigrantes" (1981), mas logo retorna à Globo para o trabalho em "Paraíso" (1982), "Voltei pra você" (1983), "De quina pra lua" (1985), "Sinhá Moça" (1986) e "Vida nova" (1988). No período, também dirigiu e reformulou os episódios do "Sítio do Picapau Amarelo". Em 1990, Benedito Ruy Barbosa deixa a Globo e assina com a Manchete, onde realiza a clássica novela "Pantanal", um marco da TV brasileira. Logo em seguida, retorna à Globo para realizar "Renascer" (1993), consolidando-se como um dos principais nomes da teledramaturgia nacional. Outro hit veio em 1996, com "O rei do gado", ao contar a história do romance improvável entre o latifundiário Bruno Mezenga (Antonio Fagundes) e a boia-fria Luana (Patrícia Pillar). Na produção, o autor destacou a presença da imigração italiana no interior do Brasil, tema que voltaria a explorar em "Terra nostra" (1999) e "Esperança" (2002). Com quatro décadas de trabalhos, em 2005, o autor escreveu a minissérie "Mad Maria", baseada no romance de Márcio Souza. Sua última novela foi "Velho Chico" (2016), em parceria com Luiz Fernando Carvalho. Antes disso, havia assinado o remake de suas obra "Meu pedacinho de chão" (2014). Mesmo após deixar as novelas, o nome do autor continuou muito presente na televisão brasileira graças a novas versões de suas obras. "Cabocla" (2004), "Sinhá Moça" (2006) e "Paraíso" (2009) tiveram versões adaptadas por Edmara e Edilene Barbosa, filhas do autor. Já os remakes "Pantanal" (2022) e "Renascer" (2024) tiveram condução do neto Bruno Luperi. * em atualização
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