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Ministério Público da Bahia revela como líderes do Comando Vermelho presos continuavam comandando a facção de dentro da cadeia

4h ago

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Extra OnlineMinistério Público da Bahia revela como líderes do Comando Vermelho presos continuavam comandando a facção de dentro da cadeiaglobo.com
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Líderes do Comando Vermelho presos no Conjunto Penal de Segurança Máxima de Serrinha, no interior da Bahia, continuavam comandando a facção de dentro da cadeia com o auxílio de advogados, segundo investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). De acordo com a investigação, obtida com exclusividade pelo Fantástico, os profissionais se valiam do atendimento reservado garantido por lei entre cliente e defensor para transmitir ordens sobre tráfico de drogas, compra de armas, cobrar dívidas, movimentar dinheiro, decidir disputas internas e até articular ataques. Entenda: Tren de Aragua se torna fornecedor bélico do Comando Vermelho e já está em três regiões no Brasil Datafolha: Maioria prefere pagar menos impostos e diz que depender menos do governo melhora a vida As conclusões fazem parte da Operação Doutores da Alegria, realizada na última sexta-feira, 3, que resultou na prisão de dez advogados e teve como alvo também 12 detentos apontados como integrantes da organização criminosa. A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MP baiano, com apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária. Segundo o Ministério Público, entre setembro de 2025 e janeiro deste ano, câmeras e equipamentos de áudio instalados com autorização judicial registraram dezenas de encontros entre advogados e presos no presídio de Serrinha. Nas gravações, os defensores recebem e repassam mensagens relacionadas ao funcionamento da facção criminosa. Em uma das conversas, atribuída ao advogado Ícaro Cardoso Viana, um preso determina a entrega de duas pistolas e orienta o envio de drogas utilizando codinomes como “peixe” e “óleo” que, segundo a investigação, se referem à cocaína e ao crack, respectivamente. Em outro trecho, o detento dita valores para a venda de maconha e pede que o advogado anote os preços. Também aparecem conversas sobre cobranças financeiras, movimentação de recursos do tráfico e aquisição de armamentos. Outra investigada, a advogada Fernanda Oliveira Borges, aparece, segundo o MP, retirando bilhetes escondidos sob a roupa antes de reuniões com presos. Em uma das gravações, um líder da facção determina a compra de munições para metralhadora e manda transmitir uma ameaça de morte a um devedor. Em outro momento, orienta uma ação que, para os investigadores, indica um plano de sequestro ao ordenar que familiares de um desafeto fossem levados para "trocar um pelo outro, vida por vida". Já a advogada Maria Mariana Batista de Oliveira é apontada como responsável por transmitir informações sobre armas, munições e logística da organização criminosa. Em um dos diálogos, um preso afirma que pretende matar policiais e determina a compra de cinco mil munições. Em outra gravação, a advogada conversa sobre a forma de fracionar cocaína para comercialização. Em um das conversas de Maria com o cliente, ela informa que um dos comparsas do detento foi morto durante a Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro no fim de outubro do ano passado. A ação terminou com 122 mortos, tornando-se a ação policial mais letal da história do país. As investigações também identificaram conversas sobre repasse de dinheiro, pagamento de honorários para atuação extrajudicial, uso de fotos e vídeos para comprovar o cumprimento de ordens e estratégias para divulgação da venda de drogas em aplicativos de mensagens. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, que falou com o Fantástico, a apuração começou após um atentado contra o diretor de um presídio na região de Eunápolis. A partir desse caso, os investigadores concluíram que advogados estariam funcionando como elo entre lideranças presas e integrantes da facção que permaneciam em liberdade. Para o coordenador do Gaeco, Luiz Ferreira de Freitas Neto, os investigados utilizaram prerrogativas da advocacia para favorecer a atuação da organização criminosa. Segundo ele, todos foram denunciados por integrar organização criminosa, enquanto outros crimes revelados nas conversas — como tráfico de drogas, tráfico de armas e homicídios — continuam sendo investigados. As defesas de Fernanda Oliveira Borges e Maria Mariana Batista de Oliveira informaram que só irão se manifestar nos autos do processo e afirmaram confiar no respeito às garantias constitucionais. Ícaro Cardoso Viana negou integrar organização criminosa no momento da prisão. A Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia informou que encaminhará o caso ao Tribunal de Ética e Disciplina para análise de eventuais medidas, inclusive suspensão preventiva dos profissionais envolvidos, e afirmou que acompanha o caso para garantir o direito de defesa dos investigados. Diante das provas reunidas, o Ministério Público defende que os presídios estaduais passem a adotar regras semelhantes às das unidades federais, onde, desde 2019, a comunicação entre presos e advogados pode ser monitorada por áudio e vídeo em situações previstas na legislação. O tema é alvo de debate no Supremo Tribunal Federal após questionamentos apresentados pela OAB.

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