Investigadora do MARE, Rita Maurício, integra novo Centro Europeu para reduzir o impacto ambiental dos fármacos
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Zara Fani Gonçalves Teixeira
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mare-centre.ptInvestigadora do MARE, Rita Maurício, integra novo Centro Europeu para reduzir o impacto ambiental dos fármacosmare-centre.ptA investigadora Rita Maurício , do MARE e ARNET , integra o núcleo fundador do novo Centro de Excelência europeu para redução do impacto ambiental de fármacos , reforçando o contributo da investigação portuguesa para uma indústria farmacêutica mais sustentável. A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT), em colaboração com a Leiden University e o Leiden University Medical Center, lidera a criação do NOVA Institute for a Sustainable Future (NOVA_i4SF) , um investimento estratégico de cerca de 30 milhões de euros , financiado pela Comissão Europeia e pelo Estado Português. Um centro pioneiro para medicamentos mais sustentáveis O NOVA_i4SF nasce para enfrentar um desafio crescente: a presença de resíduos farmacêuticos na água, nos solos e nos alimentos, com impactos cada vez mais evidentes nos ecossistemas e na saúde pública. Apesar do reconhecimento político do problema, continua a faltar uma abordagem integrada que incorpore a sustentabilidade desde o início do desenvolvimento dos fármacos. O novo Centro pretende colmatar essa lacuna através do princípio “sustainability by design” , integrando critérios ambientais desde as primeiras etapas de investigação. Esta mudança permitirá criar moléculas mais ecológicas, processos de produção menos intensivos em recursos e sistemas de avaliação que antecipem impactos ambientais através de modelos avançados e inteligência artificial. Como sublinha Rita Maurício, “Não basta que um fármaco seja eficaz: tem de ser seguro para o planeta desde a sua origem.” O contributo diferenciador do MARE A participação de Rita Maurício reforça a dimensão ambiental do novo Centro, destacando o papel único que o MARE pode desempenhar. Segundo a investigadora, “ O MARE pode contribuir de forma verdadeiramente diferenciadora ao atuar desde o início do processo, não apenas avaliando impactos, mas ajudando a conceber fármacos mais seguros e sustentáveis.”, pelo que o trabalho desenvolvido no MARE não se limitará ao estudo do destino, transformação e efeitos dos fármacos em ecossistemas aquáticos, solos e cadeias alimentares; intervém também na fase de conceção, assegurando uma visão de ciclo de vida completo. Esta abordagem inclui ainda a valorização de recursos, nomeadamente através do “aproveitamento de substâncias ativas provenientes de resíduos e subprodutos, contribuindo para uma lógica mais circular e sustentável.” Como sintetiza a investigadora, “O verdadeiro impacto reduz-se quando a sustentabilidade começa na origem.” A equipa do Centro integra ainda Eurico Cabrita, Paula Videira, Ana Rita Duarte, Ana Luísa Fernando e Juliana Monteiro, reunindo competências que vão da química verde à biotecnologia, engenharia, ciências ambientais e gestão da inovação. Um marco estratégico Para Rita Maurício, “Este Centro de Excelência representa um marco estratégico para a NOVA FCT e reforça o papel do MARE na investigação em sustentabilidade, ao promover uma abordagem integrada que cruza ambiente, economia e sociedade.” A investigadora sublinha ainda que o projeto “permitirá deixar uma infraestrutura única no país, incluindo um novo edifício com equipamentos de ponta a nível europeu, criando condições excecionais para investigação e inovação de excelência.” Sustentabilidade desde a conceção: um novo paradigma A abordagem sustainability by design é, nas palavras de Rita Maurício, “a verdadeira espinha dorsal deste Centro” , incorporando a sustentabilidade no momento em que os fármacos são pensados e desenvolvidos. A investigação ambiental tem aqui um papel transformador, “não só na antecipação de riscos ecológicos, mas também na redefinição dos próprios processos, incluindo a recuperação de recursos e o aproveitamento de substâncias ativas provenientes de resíduos e subprodutos.” Mas esta visão vai além do ambiente: “Integra também a componente social como pilar fundamental da sustentabilidade, garantindo que as soluções são seguras, acessíveis e alinhadas com as necessidades da sociedade.” Trata-se de uma mudança de paradigma: “passar de corrigir impactos para evitá-los desde a origem, criando inovação verdadeiramente responsável.” Novas oportunidades para investigadores, estudantes e parceiros O NOVA_i4SF abre novas oportunidades para toda a comunidade científica do MARE. Segundo Rita Maurício, “Este Centro cria uma oportunidade única para o MARE e para a sua comunidade científica, ao promover investigação interdisciplinar, formação avançada e participação em redes internacionais de excelência.” Para investigadores e estudantes, representa acesso a novos desafios científicos e contextos altamente colaborativos, formando novas gerações com pensamento sistémico, essencial para desafios complexos de sustentabilidade. O impacto estende-se também à indústria e à sociedade: “O Centro reforça a ligação à indústria, tanto nacional como internacional, promovendo parcerias estratégicas fundamentais para desenvolver soluções inovadoras e sustentáveis. Ao mesmo tempo, aproxima a ciência dos decisores políticos e da sociedade, facilitando a transferência de conhecimento e a sua aplicação concreta.” Como conclui a investigadora, “Este Centro será um espaço onde ciência, indústria e sociedade convergem com um objetivo comum: contribuir para um desenvolvimento mais sustentável do planeta, até porque só com parcerias fortes conseguiremos transformar conhecimento em soluções para o planeta.” Notícia original: Texto: Zara Teixeira Fotografias: João Lima
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