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Microplásticos e cocaína: pesquisa revela múltiplas camadas de contaminação no Rio Tietê

1d ago

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Extra OnlineMicroplásticos e cocaína: pesquisa revela múltiplas camadas de contaminação no Rio Tietêglobo.com
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Uma nova pesquisa que percorreu o Rio Tietê da nascente, em Salesópolis, até a foz no Rio Paraná, em Itapura, analisou 14 pontos do curso d’água e constatou que nenhum está livre de contaminação. Os cientistas analisaram a presença de microplásticos, fármacos, drogas ilícitas, como cocaína, agrotóxicos, parâmetros microbiológicos, físico-químicos e biogeoquímicos. O estudo foi conduzido pela Fundação SOS Mata Atlântica com apoio do Instituto Itaúsa e em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade Federal do ABC (UFABC), do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA/USP) e da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Os microplásticos, por exemplo, foram encontrados em todos os pontos analisados, com concentrações variadas e predominância de fibras pequenas, associadas a fontes urbanas, efluentes domésticos e industriais, lavagem de roupas sintéticas, drenagem urbana e descarte inadequado de resíduos. A pesquisa aponta que a distribuição dessas partículas é influenciada pela densidade populacional, pelo grau de modificação humana do território e pela dinâmica hidrológica do rio, especialmente em áreas de reservatórios e barragens. Em relação à presença de fármacos e drogas ilícitas, foram detectadas substâncias como cafeína, losartana, carbamazepina, diclofenaco, acetaminofeno, cocaína e benzoilecgonina. A cafeína, utilizada em estudos ambientais como marcador de contaminação por esgoto doméstico, apareceu em todos os pontos de coleta. A benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, também foi identificada em diferentes trechos. Os dados indicam maior concentração de contaminantes em áreas próximas aos centros urbanos, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo. O ponto de Osasco apresentou os maiores valores para várias substâncias analisadas, o que evidencia a pressão exercida pela urbanização, pelo lançamento de esgoto e pela ocupação intensiva da bacia. Mas, mesmo na nascente, onde a qualidade da água é melhor, foram identificados sinais iniciais de contaminação, o que, segundo os responsáveis pelo trabalho, aponta a capilaridade dos impactos humanos sobre o sistema hídrico. Segundo o pesquisador Ítalo Braga, do Instituto do Mar (IMar/Unifesp) - Campus Baixada Santista, um aspecto relevante do estudo é mostrar que os diferentes contaminantes não devem ser analisados de forma isolada. “Efeitos sinérgicos ou aditivos podem emergir deste coquetel de contaminantes afetando a biota aquática e comprometendo importantes serviços ecossistêmicos prestados pelo rio Tietê à população”, diz em nota. Os cientistas defendem a ampliação dos parâmetros de monitoramento ambiental. Segundo eles, muitos dos contaminantes identificados ainda não integram de forma sistemática as redes oficiais de controle da qualidade da água, embora possam produzir efeitos ecológicos de médio e longo prazo. Para Camilo Seabra, também pesquisador do IMar/Unifesp, incorporar esses indicadores ao acompanhamento da bacia é uma condição importante para orientar políticas públicas mais efetivas. “O monitoramento de contaminantes emergentes permite compreender melhor as pressões que atuam sobre o rio e qualificar as estratégias de recuperação ambiental”, afirma.

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