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Brasil diz aos EUA que conclusões de investigação sobre trabalho forçado são 'arbitrárias'
Governo Trump reage e diz que decisão do Brasil de permitir volta de espião à Rússia ‘preocupa profundamente’
4h agopt
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos se disse "profundamente preocupado" com a decisão do governo brasileiro de expulsar do Brasil Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado como espião russo pela Polícia Federal e o Federal Bureau of Investigation (FBI). O órgão chamou atenção para o "precedente" criado com o caso e defendeu a responsabilização daqueles que "ameaçam nossa segurança coletiva". "Essa decisão mina nosso compromisso compartilhado de combater a interferência estrangeira e proteger a integridade de nossas instituições democráticas", comentou o Departamento de Estado do governo Donald Trump, em tradução livre. Conforme portaria do Ministério da Justiça, Cherkasov será expulso após o final da pena de 15 anos de prisão que ele cumpre no País ou após eventual liberação pelo Judiciário. O russo ainda será impedido de entrar em território brasileiro por 30 anos, contados a partir da execução da expulsão. Sergey viveu no Brasil usando a identidade falsa de Victor Müller Ferreira, apresentada como a de um brasileiro nascido no Rio que teria vivido na Argentina. Ele foi pego ao chegar a Amsterdã, em abril de 2022, para iniciar um trabalho e foi deportado ao Brasil. Só então as autoridades descobriram que ele era um agente de inteligência da Rússia. Após análise do material apreendido com ele, descobriu-se que Sergey possuía uma rede de apoio no Brasil que fazia, inclusive, depósitos de valores mensais em sua conta de forma fracionada e em espécie, visando à sua não identificação. Ele se passou por estudante no país, fez cursos no exterior e chegou a fazer aulas de forró como parte do disfarce. Transações financeiras também chamaram a atenção dos investigadores. Em depoimento a agentes do FBI, a polícia federal americana, ele contou que pagou um curso na Irlanda com “lucro auferido com a compra e venda de bitcoins” e que, sem visto de trabalho, usou suas economias para fazer uma pós-graduação nos Estados Unidos — que custou entre US$ 80 mil e US$ 100 mil. Segundo a apuração do caso, enquanto estava no exterior, o russo recebeu depósitos em espécie em uma agência bancária no Rio comprou automóveis e movimentou “altos valores” em corretoras de criptomoedas. Brasil entre Rússia e EUA Além da atuação do governo russo para que o espião retornasse ao país, o caso envolve também o desejo do governo americano de que ele não retorne à Rússia, justamente por causa das alegações do FBI de que ele coletou informações sobre os EUA e repassou ao Kremlin. Ainda em 2022, quando foi preso, o episódio foi tratado com discrição pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro para evitar conflitos com a Rússia, fornecedora estratégica de fertilizantes para o setor agrícola. O caso seguiu os trâmites no STF e no governo nos últimos anos. A partir do despacho mais recente do Ministério da Justiça, a defesa de Sergey deve pedir novamente à Corte que ele vá para a Rússia. Se esse for o caminho, o desfecho pode desagradar à Casa Branca e se tornar mais um ponto de atrito entre Brasil e EUA. Leia a íntegra da nota do Departamento de Estado dos EUA The United States is deeply concerned by Brazil's decision to allow an individual with known ties to Russian intelligence to depart the country. This decision undermines our shared commitment to countering foreign interference and protecting the integrity of our democratic institutions. We urge our Brazilian partners to consider the precedent this sets and to work with us in holding those who threaten our collective security accountable. Em tradução livre: O Estados Unidos está profundamente preocupado com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com ligações conhecidas com a inteligência russa deixe o país. Essa decisão mina nosso compromisso compartilhado de combater a interferência estrangeira e proteger a integridade de nossas instituições democráticas. Instamos nossos parceiros brasileiros a considerarem o precedente que isso cria e a trabalharem conosco para responsabilizar aqueles que ameaçam nossa segurança coletiva.
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