Gordura marrom, branca e bege: entender os diferentes tipos pode ajudar na perda de peso
3h ago
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Sabemos que carregar excesso de gordura faz mal à saúde e pode contribuir para diversas doenças, como o diabetes. Mas nem toda gordura é igual. Enquanto certos tipos de células de gordura podem se acumular em nosso corpo e causar problemas de saúde, outros evoluíram para transformar combustível em calor — e, assim, podem realmente queimar calorias. Pesquisas recentes mostram até mesmo que ter concentrações mais elevadas de células de gordura "boas" no organismo pode nos ajudar a queimar mais calorias quando somos expostos a temperaturas frias. Essa ideia de diferentes gorduras "coloridas" — marrom, branca e bege — costuma aparecer em dietas da moda que incentivam o consumo de alimentos específicos para emagrecer, sem muitas evidências de que funcionem. Mas compreender a ciência por trás desses diferentes tipos de células de gordura — e como transformar um tipo em outro — pode, de fato, ser uma forma importante de manter a saúde e até mesmo tratar condições graves, como a obesidade. Células de gordura branca, marrom e bege Existem dois principais tipos de células de gordura. As células de gordura branca são encontradas nos tecidos conjuntivos do corpo, geralmente sob a pele (gordura subcutânea) e na cavidade abdominal (gordura visceral). Quando ingerimos alimentos, as células de gordura branca convertem principalmente o excesso de energia, na forma de glicose, que o organismo não necessita, em gotículas de lipídios, geralmente na forma de moléculas chamadas triglicerídeos. Essas células também produzem moléculas de sinalização que regulam o apetite e o equilíbrio energético. As células de gordura marrom, por outro lado, tradicionalmente eram consideradas presentes apenas em recém-nascidos e desapareceriam durante a infância. Posteriormente, pesquisas mostraram que as células de gordura marrom permanecem no corpo ao longo de toda a vida. Essas células estão localizadas em regiões entre as escápulas, no pescoço, ao longo da medula espinhal e acima da clavícula. Mas também podem surgir em outras partes do corpo, como ao redor de órgãos vitais, onde transformam alimentos em calor. Pesquisas também identificaram um terceiro tipo de célula de gordura, chamado gordura bege ou "brite" (brown in white, ou marrom na branca). Essas células se comportam como as células de gordura marrom, mas são encontradas em regiões semelhantes às ocupadas pelas células de gordura branca. As células de gordura bege derivam da gordura branca por meio de um processo chamado "escurecimento" (browning), desencadeado pela exposição a baixas temperaturas, geralmente cerca de 3°C acima da temperatura em que a pessoa começa a tremer, que é de aproximadamente 11°C para mulheres e cerca de 9°C para homens. Acredita-se também que outros estímulos, como uma boa alimentação e a prática de exercícios físicos, favoreçam esse processo de escurecimento. O que sua aparência significa As células de gordura branca são, em geral, células arredondadas de tamanhos variados, contendo uma única e grande gotícula de lipídio. Essas gotículas podem ser convertidas em ácidos graxos durante períodos de jejum ou quando a demanda por energia aumenta. Os ácidos graxos são os blocos fundamentais das gorduras e podem ser liberados para a corrente sanguínea. As células de gordura marrom são menores e possuem muitas pequenas gotículas de lipídios em cada célula. Elas também contêm numerosas organelas responsáveis pela produção de energia, chamadas mitocôndrias. Essas mitocôndrias são ricas em ferro, o que confere às células sua coloração marrom quando expostas ao oxigênio. As células de gordura bege apresentam características intermediárias entre as células brancas e marrons. Elas se originam de células brancas, mas funcionam como células marrons, queimando energia para produzir calor quando a temperatura corporal central diminui. O processo de escurecimento é favorecido pelas baixas temperaturas, bem como pelos sistemas nervoso e imunológico. Mudando o tipo de gordura Há muito tempo se sabe que as células de gordura branca podem adquirir características das células de gordura marrom sob determinadas condições, como baixas temperaturas e a ação de certas proteínas. Mas os pesquisadores agora sabem que todos os tipos de células de gordura podem se transformar uns nos outros, dependendo dos estímulos aos quais são expostos e das demandas impostas ao organismo em que se encontram. Uma célula de gordura só pode se transformar em outro tipo de duas maneiras. Ela pode alterar a ativação dos genes correspondentes em um processo conhecido como transdiferenciação. Ou essa mudança pode ocorrer por meio da reversão de qualquer célula de gordura madura ao seu estado celular ancestral comum (desdiferenciação), seguida pela "reprogramação" de seus genes (rediferenciação). Esse segundo processo pode ocorrer naturalmente, mas geralmente é realizado em laboratório. As condições para essa transformação natural também podem ser potencializadas. Suplementos nutricionais, como os flavonoides resveratrol e quercetina, encontrados em frutas e vegetais, podem favorecer o processo de escurecimento. Também foi demonstrado que a prática de exercícios físicos aumenta esse processo. A exposição a temperaturas ligeiramente acima do limiar de tremores por pelo menos duas horas também é conhecida por favorecer o escurecimento da gordura. No entanto, isso precisa ser feito regularmente para que ocorram mudanças significativas. Estudos também mostram que as células de gordura marrom estão associadas a uma melhor saúde. Elas favorecem a perda de peso, o que pode, consequentemente, reduzir a obesidade e outras doenças relacionadas ao excesso de peso. As células de gordura marrom também diminuem o risco de hipotermia e podem reduzir o risco de diabetes ao aumentar a sensibilidade à insulina. A capacidade de promover o escurecimento das células de gordura branca e transformá-las em células bege, portanto, representa um potencial para melhorar a saúde. * Trust Diya é professora de Ciências Biológicas na Universidade de Staffordshire. * Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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