Correios suspendem parte de plano de reestruturação e adiam fechamento de agências em meio à busca por mais R$ 7 bilhões
10h agopt
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Apresentado no ano passado como contrapartida ao aval do Tesouro para um empréstimo de R$ 12 bilhões, o plano de reestruturação em curso nos Correios foi parcialmente interrompido neste mês. A estatal suspendeu o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que exerçam atendimento ao público, além da adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para realizar as entregas. A decisão foi tomado diante da ameaça de servidores de entrarem em greve. A suspensão das medidas previstas no plano ocorre no momento em que a direção da empresa, comandada por Emanoel Rondon, busca um novo empréstimo, agora de R$ 7 bilhões, como parte da estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e o rombo deve ser ainda maior neste ano. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões. Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores possam apontar possíveis distorções na aplicação das medidas. "A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no Plano de Reestruturação tenham continuidade", disse a empresa. Estão mantidas, por exemplo, as ações de venda de imóveis e outras medidas de contenção de despesas. A suspensão temporária foi proposta em carta a sindicalistas, em resposta ao movimento grevista. Insatisfeitos com as medidas do plano de reestruturação, os representantes dos trabalhadores haviam indicado que começariam uma paralisação na terça-feira passada. Depois do aceno da direção dos Correios, recuaram e só mantiveram o estado de greve, que permite à categoria cruzar os braços a qualquer momento, caso haja descumprimento dos termos da negociação pela empresa. “Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo e com a busca de soluções construídas de forma negociada, propõe-se a suspensão do fechamento de unidades previstas no Plano de Reestruturação dos Correios até 31 de julho de 2026, ressalvadas as unidades fechadas ou em processo avançado de fechamento”, diz a carta, ao qual O GLOBO teve acesso. O documento é assinado pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações. No período da suspensão, segundo o documento, serão avaliados e debatidos novos fechamentos, com “análise técnica, institucional e social das situações apresentadas”. Da mesma forma, foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas já realizadas em junho. Por fim, a direção se comprometeu com a interrupção da retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê – AAG e Quebra de Caixa, com a reavaliação dos benefícios que já foram encerrados. Das ações paralisadas no contexto da negociação com os trabalhadores, uma das mais relevantes para o processo de recuperação financeira da empresa é o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com previsão de economia de R$ 2,1 bilhões, 256 tiveram suas atividades encerradas até o momento. A medida é importante também porque o novo programa de demissão voluntária (PDV), que deve ser anunciado em breve, será exclusivamente voltado para as unidades que serão fechadas, que têm, ao todo, 7 mil funcionários. Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, houve frustração. Somente 3.075 funcionários aderiram à iniciativa, bem abaixo da meta de 10 mil. A economia alcançada foi de cerca de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas. Na parte do plano que envolve a busca de novas receitas, a empresa, por sua vez, vem avançando em parcerias. O plano de reestruturação foi apresentado pelos Correios no ano passado, diante de uma grave crise financeira e como condição do governo para que o Tesouro Nacional desse aval a um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer a estatal.
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