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Às vésperas de audiência nos EUA, Flávio acusa Lula de usar soberania como ‘falsa narrativa’ para favorecer o tarifaço

12h agopt

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Extra OnlineÀs vésperas de audiência nos EUA, Flávio acusa Lula de usar soberania como ‘falsa narrativa’ para favorecer o tarifaçoglobo.com
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Na véspera da audiência pública que antecede a decisão do governo dos Estados Unidos sobre a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vídeo gravado em Washington e divulgado nesta segunda-feira, o parlamentar acusou o petista de utilizar uma “falsa narrativa” de defesa da soberania nacional para explorar politicamente a crise comercial com os Estados Unidos e afirmou que Lula “é o único que quer a tarifa”. A gravação foi divulgada poucas horas antes de Flávio participar da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), última etapa da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão prevista para 15 de julho. O senador será o primeiro expositor do oitavo painel da sessão, nesta terça-feira, e terá cerca de cinco minutos para apresentar argumentos contra a sobretaxa, defender o Pix e responder a eventuais perguntas dos técnicos responsáveis pela investigação. No vídeo, Flávio atribui ao governo Lula a responsabilidade pela deterioração da relação entre Brasília e Washington e afirma que o presidente deixou de atuar para impedir a aplicação das tarifas. — Eu queria entender o que passa na cabeça de uma pessoa que não enxerga a força que o Lula faz para que os produtos brasileiros sejam tarifados pelos Estados Unidos. Para ele usar a falsa narrativa de defesa da soberania. Ele está se lixando para a soberania brasileira. Por causa do efeito Lula é que hoje o Brasil tem chance de ser tarifado — afirmou. Na sequência, o senador criticou o governo por, segundo ele, não defender os interesses brasileiros na audiência promovida pelo USTR. — Ele não mandou ninguém para cá, nem uma única pessoa para defender o Brasil aqui nesse tribunal que vai sugerir se o governo americano deve impor ou não a tarifa de 25% aos produtos brasileiros. O Lula é o único que quer a tarifa. E eu estou aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil ainda — disse. O governo brasileiro, porém, informou nesta segunda-feira que enviou uma observadora da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar os dois dias de audiência pública. Segundo o Itamaraty, a sessão organizada pelo USTR não é tratada como um canal de negociação entre os governos, mas como um espaço destinado a ouvir manifestações de empresas, entidades do setor produtivo e representantes da sociedade civil. A posição do governo é que as tratativas oficiais continuam sendo conduzidas pelos canais diplomáticos. A última conversa virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ocorreu na última quinta-feira. O governo brasileiro espera uma nova rodada de negociações nos próximos dias, antes do prazo final de 15 de julho para que os Estados Unidos anunciem se aplicarão ou não as tarifas. O vídeo divulgado por Flávio antecipa a estratégia que será adotada na audiência desta terça-feira. Conforme apurou o GLOBO, aliados do senador decidiram recalibrar o discurso após a repercussão negativa do documento de 86 páginas encaminhado ao USTR, no qual o parlamentar propôs suspender a aplicação das tarifas enquanto Brasil e Estados Unidos negociassem os pontos da investigação. A campanha avalia que a proposta acabou sendo interpretada como uma defesa do adiamento das medidas para depois das eleições brasileiras e, por isso, a orientação agora é enfatizar que Flávio é contrário ao tarifaço e defender que a crise seja resolvida por meio de negociação. Além da oposição às tarifas, o senador pretende dedicar parte da apresentação à defesa do Pix, um dos temas incluídos na investigação comercial americana. O argumento será o de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e não uma empresa que concorra com plataformas americanas, motivo pelo qual não deveria ser alvo de qualquer medida de retaliação. Outro ponto da fala será a defesa de uma maior aproximação econômica entre Brasil e Estados Unidos. No documento entregue ao USTR, Flávio afirma que o Brasil precisa “se libertar das amarras do Mercosul” para ampliar acordos comerciais bilaterais e negociar diretamente com outros parceiros econômicos. Ao responder às críticas do governo, o senador também procurou rebater as acusações de que sua atuação poderia prejudicar o país. — Eu vejo notícias dizendo que eu posso atrapalhar. Está de brincadeira. O Lula já atrapalhou. E vai ser difícil reverter o estrago que ele causou. Mas eu estou aqui, mesmo com a construção dessa narrativa mentirosa contra mim. Eu não vou me omitir. Vou fazer a minha parte para defender os interesses do povo brasileiro sempre. Eu vou proteger o Brasil do Lula e das tarifas — afirmou. A audiência promovida pelo USTR começou nesta segunda-feira e reúne representantes de empresas, associações empresariais e especialistas dos dois países. Os trabalhos foram divididos em 14 painéis distribuídos ao longo de dois dias. Flávio participará do segundo dia, ao lado do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, que representará a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), além de representantes da Abicalçados e de empresas americanas. Cada participante terá cinco minutos para resumir sua manifestação escrita. Em seguida, integrantes do USTR poderão fazer perguntas aos expositores. A audiência não terá caráter deliberativo nem resultará em uma decisão imediata. As manifestações servirão de base para a recomendação técnica que será encaminhada ao governo americano antes da decisão definitiva sobre a aplicação das tarifas, prevista para 15 de julho. Irmão defendeu tarifas A estratégia adotada por Flávio nesta semana também contrasta com a posição defendida pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante a primeira crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, no ano passado. Na ocasião, após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Eduardo afirmou considerar a medida uma resposta "legítima" às ações do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota divulgada em julho de 2025, o parlamentar afirmou que, embora preferisse sanções direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes e seus aliados, entendia que as tarifas impostas por Trump eram justificadas. "Embora sempre tenhamos priorizado uma ação mais direta contra Alexandre de Moraes e seus apoiadores — verdadeiros responsáveis pela escalada autoritária no Brasil —, entendemos que as tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump foram uma resposta legítima às agressões do regime brasileiro contra interesses e cidadãos americanos", escreveu Eduardo na ocasião. Na audiência desta terça-feira, porém, a estratégia de Flávio será outra. Segundo aliados, o senador pretende reforçar que é contrário à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, defender a retirada do Pix da investigação comercial e argumentar que uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos é mais eficaz do que a adoção de barreiras comerciais. A campanha também avalia que a participação na audiência ajudará a rebater as críticas do governo Lula de que integrantes da família Bolsonaro estariam atuando contra os interesses da economia brasileira.

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