Alcolumbre reclama com o governo de fala do líder do PT na Câmara e amplia impasse com o Planalto
3h agopt
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), procurou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para se queixar de fala do PT na Câmara, Pedro Uczai, que afirmou que o senador vai ser tratado como "inimigo dos trabalhadores" se não pautar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6x1. Prioridade número um do governo federal, a PEC foi aprovada na Câmara em 27 de maio e, desde então, não andou no Senado. Alcolumbre sinalizou a auxiliares que esses temas só deverão avançar após uma conversa com o presidente, o que não ocorreu nem tem previsão de ocorrer no curto prazo, segundo aliados do petista. Os dois se afastaram após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em articulação capitaneada por Alcolumbre. Uczai afirmou nesta terça-feira que o PT dará uma "trégua" a Alcolumbre até a próxima semana para que a proposta seja despachada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro passo no rito regimental para a proposta avançar. — Nós vamos dar uma trégua para o Davi Alcolumbre para ele pegar a pasta e mandar para a Comissão de Constituição e Justiça. Até semana que vem, se ele não encaminhar para a Comissão de Justiça, nós vamos elegê-lo como inimigo também. Inimigo dos trabalhadores e da pauta — afirmou o deputado. Horas depois, Alcolumbre rebateu as declarações do líder do PT na Câmara. Em nota divulgada pela Presidência do Senado, o parlamentar afirmou que "esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado" e que a definição da pauta e da tramitação das matérias "não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais". No posicionamento, o senador afirmou que a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da Presidência e "não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais". Ele disse ainda que qualquer tentativa de constranger a condução dos trabalhos da Casa representa afronta à independência entre os Poderes. Segundo relatos, Alcolumbre telefonou para Teresa Leitão. A conversa seguiu os mesmos termos explicitados pelo presidente na nota. O parlamentar já vinha se queixando —nos bastidores e publicamente— dos ataques e pressões que têm recebido de governistas e da militância petista. A declaração do deputado petista repercutiu mal até mesmo entre aliados do parlamentar. Integrantes do PT no Senado se queixaram em conversas reservadas dessa postura, afirmando que todos estão atuando para a PEC avançar e que esse tipo de comportamento só atrapalha. A avaliação é que já há um ruído na relação do Planalto com a cúpula do Senado e que é preciso evitar um maior tensionamento. Além disso, dizem que a nova líder do governo tem feito gestos de aproximação com Alcolumbre e atuado para distensionar a relação dele com Lula. Além dela, há outros interlocutores buscando aproximar as duas autoridades. Outro governista interlocutor de Alcolumbre diz que também provocou críticas o fato de a fala de Uczai ocorrer dias após uma reunião do presidente do Senado com lideranças sindicais que foi considerada positiva pelos presentes. No encontro, na semana passada, Alcolumbre sinalizou que vê com bons olhos a possibilidade de retirar o período de transição da redução da jornada 6x1 do texto, pleito defendido pelo Planalto. Um senador do PT afirma que é possível pressionar o andamento da PEC e defender a pauta sem direcionar críticas à figura de Alcolumbre. Ele citou como exemplo a mobilização que levou o Senado a enterrar a PEC da Blindagem, em 2025. Naquele momento, diz, não houveram críticas diretamente ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas ao projeto como um todo, mobilizando a sociedade civil e enterrando uma proposta considerada ruim por parlamentares. Essa não é a primeira vez que Alcolumbre se queixa de ataques de governistas e da militância direcionados a ele. No fim de junho, o presidente do Senado criticou uma “autoridade importante do Brasil” que teria pressionado o andamento da PEC, sem citar nominalmente a quem se referia. No mesmo dia, mais cedo, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) havia cobrado o andamento da proposta. — Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6x1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso — afirmou Alcolumbre. Governistas reconhecem que a tramitação da PEC 6x1 no Senado deve começar apenas após o recesso parlamentar, a partir de agosto. Um integrante do governo que despacha no Palácio do Planalto diz que não há nem garantias neste momento de que Alcolumbre dê início ao rito regimental antes das eleições, em outubro. Ele afirma que o presidente do Senado tem dado sinais dúbios sobre as propostas de interesse do Executivo que estão paradas no Senado.
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