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A geração que não quer depender de ninguém

4h agopt
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Viver mais já não é o suficiente. Entre os mais jovens, cresce a ideia de que a longevidade passa por algo fundamental: a preservação da autonomia. A mudança aparece em hábitos que, até pouco tempo, eram associados a fases mais avançadas da vida. Treino de força, atenção à mobilidade, cuidado cognitivo, terapia, prevenção cardiovascular e preocupação com a qualidade do sono passam a ser incorporados à rotina das novas gerações cada vez mais cedo. Não se trata apenas de estética ou performance. Existe uma tentativa de preservar a funcionalidade ao longo do tempo. — Com mais acesso à informação, existe também uma maior consciência de que a qualidade de vida no futuro é resultado das escolhas feitas no presente — afirma a psicóloga cognitivo-comportamental Ilana Fermann. A autonomia deixa, então, de ser algo garantido e passa a ser construída desde cedo. — Ao mesmo tempo, convivemos hoje com idosos ativos, independentes e com qualidade de vida. Isso se torna uma referência concreta do que os jovens desejam para o próprio envelhecimento — pontua a especialista. A preocupação precoce encontra respaldo na ciência. A neuropsicóloga Simone Fidelis explica que hábitos como atividade física, sono regular, manejo do estresse, vínculos sociais e acompanhamento psicológico têm impacto direto sobre o funcionamento cerebral. — Eles não blindam o cérebro, mas ajudam a preservar funções como atenção, memória, velocidade de processamento e regulação emocional — afirma. No longo prazo, isso amplia as chances de manter a liberdade e a independência. — A pessoa mantém por mais tempo a capacidade de decidir, planejar, organizar a rotina e adaptar-se às mudanças. A saúde cognitiva deixa de ser um assunto restrito às idades mais avançadas e entra na lógica da prevenção. Mas existe um limite delicado entre cuidado e controle. — O excesso de estímulos mantém o cérebro em estado constante de alerta. Isso pode aumentar a fadiga mental, reduzir a profundidade da atenção, prejudicar o sono e dificultar a recuperação emocional — explica a neuropsicóloga. Um cérebro que descansa pouco e processa estímulos demais, diz ela, tende a funcionar com menos eficiência, principalmente em tarefas que exigem concentração, tomada de decisão e regulação das emoções. Cuidado x controle A relação entre autonomia e funcionamento cerebral é direta. Atenção, memória, funções executivas e saúde mental sustentam a capacidade de resolver problemas, organizar tarefas e adaptar-se à rotina. Quando essas funções começam a falhar, a independência também pode ser afetada. Mas a busca por autonomia também se mistura a uma necessidade constante de previsibilidade em uma geração marcada pela ansiedade. — A autonomia passa a ser um valor central, ligada à ideia de liberdade, controle e até identidade, como se ser independente fosse uma medida de sucesso — afirma. Aqui, vale o alerta para o paradoxo contemporâneo: o cuidado pode facilmente se transformar em vigilância permanente. — O limite saudável está quando o cuidado com o futuro não compromete a forma como você vive o presente — pontua Ilana. A internet participa ativamente desse processo. Se, por um lado, amplia o acesso à informação, a aplicativos de saúde e a conteúdos sobre prevenção, por outro, intensifica comparações e idealizações. — Cada pessoa tem um corpo, um contexto e uma forma de envelhecer. Saber filtrar o que consumimos é imprescindível para não transformar a saúde em uma busca inalcançável — completa a neuropsicóloga. Ainda assim, o que parece emergir é uma mudança mais ampla na ideia de longevidade. O foco deixa de estar apenas na extensão da vida e passa a incluir a preservação da capacidade funcional. — A ideia de envelhecer bem está mudando, especialmente entre os jovens. Não basta viver mais, é preciso viver com funcionalidade, clareza mental e participação ativa na própria vida — resume Simone. Talvez a grande mudança esteja justamente em trocar a obsessão por uma longevidade a qualquer custo pelo desejo de preservar a autonomia ao longo da vida. Hábitos que ajudam a preservar a autonomia Não existe uma fórmula única, mas algumas escolhas podem fazer diferença ao longo da vida. Entre elas estão: Praticar atividade física regularmente. Dar atenção à mobilidade e à funcionalidade do corpo. Manter uma rotina de sono regular. Cuidar da saúde cognitiva. Buscar formas de manejar o estresse. Preservar vínculos sociais. Fazer acompanhamento psicológico quando necessário. Filtrar o excesso de informações e evitar transformar a saúde em uma busca inalcançável. Equilibrar o cuidado com o futuro sem deixar de viver o presente. Ilana Fermann, psicóloga cognitivo-comportamental Arquivo pessoal Com mais acesso à informação, existe também uma maior consciência de que a qualidade de vida no futuro é resultado das escolhas feitas no presente Simone Fidelis, neuropsicóloga Arquivo pessoal A ideia de envelhecer bem está mudando, especialmente entre os jovens. Não basta viver mais, é preciso viver com funcionalidade, clareza mental e participação ativa na própria vida
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