Trump diz que cessar-fogo com Irã 'acabou': 'Eles são lixo, governados por doentes'
8h agopt
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que considera encerrado o acordo provisório de cessar-fogo com o Irã, após uma nova escalada militar entre os dois países. A declaração foi feita em Ancara, na Turquia, durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), poucas horas depois de forças americanas lançarem novos ataques contra alvos iranianos e de Teerã responder com bombardeios contra bases militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. — Para mim, acho que acabou. No que me diz respeito, isso é apenas perda de tempo — disse Trump, acrescentando que não pretende impedir a continuidade das negociações entre representantes dos dois países, mas que não acredita que elas produzirão resultados. — Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo. Eles são lixo, são pessoas doentes, são governados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, a usariam. Contexto: EUA suspendem sanções contra o Irã enquanto mediadores citam avanços para acordo em negociações na Suíça Análise: Guinada de Trump sobre sanções ao Irã em acordo surpreende ao desmontar décadas de restrições financeiras O americano fez as declarações depois que os EUA bombardearam mais de 80 alvos no Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, radares costeiros, sistemas de vigilância, mísseis superfície-ar, mísseis de cruzeiro antinavio, locais de lançamento de drones e mais de 60 pequenas embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a operação teve como objetivo impor um alto custo ao Irã pelos ataques contra navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. “[As Forças Armadas estão] preparadas para responsabilizar o Irã quando o acordo não for cumprido ou respeitado”, escreveram. A imprensa estatal iraniana informou explosões em vários locais, incluindo Bandar Mahshahr, onde um integrante da Guarda Revolucionária foi morto. Também houve relatos de ataques contra Bushehr, onde fica o complexo da usina nuclear iraniana. As embarcações iranianas têm sido fundamentais para ameaçar navios na rota, por onde passava um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo antes da guerra. A capacidade do Irã de paralisar a navegação na hidrovia durante o conflito revelou-se sua maior vantagem estratégica, à medida que o aumento dos preços de energia, fertilizantes e alimentos pressionava os EUA a fechar um acordo. Trump diz que acordo com o Irã está 'encerrado'; ataques no Golfo voltam a atingir navios O governo americano também revogou uma licença emitida pelo Departamento do Tesouro em 22 de junho que autorizava temporariamente a venda de petróleo bruto, produtos petroquímicos e derivados de origem iraniana até 21 de agosto. A autorização havia suspendido parte das sanções americanas e permitido que o Irã realizasse vendas de petróleo em dólares pela primeira vez em anos. Com a revogação, Washington estabeleceu o dia 17 de julho como prazo para o encerramento das transações em andamento. 'Otan 3.0': Europa está pronta para liderar a aliança em meio ao recuo dos EUA? Um funcionário americano afirmou que os negociadores continuarão trabalhando por um acordo definitivo entre Washington e Teerã, mas que, mesmo antes da escalada mais recente, as perspectivas para um entendimento amplo já eram incertas. Há diversos pontos de impasse, incluindo futuras tarifas cobradas de navios que atravessam Ormuz, o desbloqueio de ativos iranianos e as ambições nucleares do Irã. As medidas foram adotadas após ataques contra três navios que navegavam pelo estreito. Um dos petroleiros foi atingido e incendiado próximo à costa de Omã. Segundo o centro britânico Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), outras duas embarcações sofreram danos, mas continuaram viagem. A televisão estatal iraniana afirmou que o navio incendiado foi atacado depois de ignorar advertências, sem assumir diretamente a responsabilidade pela ação. Resposta iraniana Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait e derrubado um drone americano MQ-9 que, segundo Teerã, tentava interferir na operação. O Kuwait informou que interceptou dois mísseis balísticos e 13 drones iranianos e afirmou que algumas linhas de transmissão de energia ficaram fora de operação após serem atingidas por estilhaços. Entenda: EUA alertaram Irã por meio de países da região sobre risco de Israel tentar matar negociadores do país Na manhã desta quarta-feira, Bahrein, onde está sediada a 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, e Kuwait, que abriga tropas do Exército americano, emitiram alertas para mísseis. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, principal comando militar conjunto do Irã, classificou os ataques americanos como um “ato flagrante de agressão”, prometeu uma “resposta devastadora” e afirmou que Teerã não permitirá interferência dos EUA na administração do Estreito de Ormuz. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os ataques americanos e a revogação da autorização para venda de petróleo tornaram “ineficaz” o acordo firmado entre os dois países no mês passado. A decisão de Washington, disse, viola o entendimento que previa um período de 60 dias de negociações para um acordo permanente e responsabilizou os EUA pelas consequências. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, também acusou Washington de descumprir o acordo, citando os novos bombardeios, o restabelecimento das restrições ao petróleo iraniano, violações dos “ajustes” promovidos por Teerã no Estreito de Ormuz e a continuidade dos ataques israelenses contra o Líbano. Em publicação no X, ele afirmou que “a era da intimidação e da extorsão acabou”: “Isso não leva a lugar nenhum. Nós não recuamos”, escreveu. 'Maior funeral da História' para Ali Khamenei: Irã busca demonstrar poder e resiliência depois da guerra O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, prometeu “ações decisivas” em resposta às medidas americanas. O Ministério iraniano afirmou ainda que adotará todas as medidas consideradas necessárias para proteger os interesses e a segurança nacional do país. Uma sequência semelhante de ataques iranianos contra embarcações e de bombardeios retaliatórios dos EUA ocorreu no fim do mês passado, levando igualmente a afensivas contra Bahrein e Kuwait. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou antes da cúpula da aliança que os novos ataques americanos eram “absolutamente necessários”. Já a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, escreveu no X que as trocas de ataques entre Estados Unidos e Irã complicam ainda mais negociações já delicadas para encerrar a guerra e classificou como “inaceitáveis” os ataques iranianos. Anwar Gargash, diplomata dos Emirados Árabes Unidos, classificou a ofensiva iraniana como “um claro indicativo de que Teerã continua incapaz de assumir os compromissos necessários para reduzir a escalada”. Galerias Relacionadas Como parte do acordo provisório, Irã e EUA concordaram em permitir que navios atravessassem Ormuz sem pagamento de taxas durante 60 dias. No entanto, Teerã insistiu que deve controlar as rotas das embarcações e prometeu cobrar tarifas posteriormente pela passagem, o que alteraria décadas de prática na hidrovia. Os navios atacados na terça-feira aparentemente utilizavam uma rota próxima à costa de Omã, e não o trajeto determinado por Teerã. Os EUA e muitos países árabes do Golfo afirmam que não aceitarão que o Irã cobre pela passagem. As negociações entre Washington e Teerã haviam sido retomadas na semana passada, mas voltaram a ser suspensas em razão das cerimônias fúnebres do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, no início da guerra. Homenagens foram realizadas nesta quarta na cidade iraquiana de Najaf, que reuniu o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e outras autoridades iranianas e iraquianas, entre elas o primeiro-ministro do Iraque, Ali Falah al-Zaidi. Também estão previstas orações fúnebres no santuário do imã Hussein, em Karbala. Guga Chacra: Terceira via do Oriente Médio ganha força para evitar Irã e Israel O filho de Khamenei e novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, ainda não apareceu nas cerimônias, iniciadas no sábado na capital iraniana. Acredita-se que ele esteja escondido após ter ficado ferido no ataque aéreo que matou seu pai. O corpo de Khamenei será levado de volta ao Irã para ser enterrado na quinta-feira no santuário do imã Reza, em Mashhad, sua cidade natal. Segundo o Catar, a próxima rodada de negociações deverá ser marcada assim que os funerais forem concluídos. As conversas têm como objetivo tratar de um acordo definitivo, incluindo a reabertura plena do Estreito de Ormuz, as futuras tarifas para embarcações que cruzam a hidrovia, o desbloqueio de ativos iranianos e o programa nuclear do Irã. As declarações de Trump e a nova troca de ataques repercutiram imediatamente nos mercados internacionais. O petróleo Brent chegou a subir mais de 6%, alcançando cerca de US$ 79 por barril em Londres, enquanto bolsas de valores recuaram e aumentaram as preocupações com a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Dados do setor marítimo mostraram que pelo menos quatro navios petroleiros e de gás desistiram de atravessar a hidrovia após a escalada das hostilidades. (Com Bloomberg, AFP e New York Times)
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