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Cuba tem restabelecimento gradual de energia em meio a cerco energético dos EUA

Soluções para descarbonizar a energia podem melhorar a qualidade de vida nas cidades

6h agopt
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A transição energética, para ser justa, precisa estar presente no dia a dia da população. Isso significa contas de energia mais baixas, transporte público mais acessível e econômico, novas oportunidades de empregos verdes e acesso à capacitação profissional adequada, especialmente para grupos marginalizados e trabalhadores de setores intensivos em carbono. Transição energética: Usinas a carvão geram energia poluente e cara, mas resistem na matriz elétrica Meta de US$ 1,3 trilhão: Financiamento da transição energética depende cada vez mais do capital privado — Não se trata apenas de enfrentar as mudanças climáticas, mas de combater as desigualdades. Precisamos garantir que a substituição dos combustíveis fósseis beneficie as pessoas, especialmente os trabalhadores e as comunidades mais afetadas por essa transformação — afirmou Caterina Sarfatti, diretora-geral de Inclusão e liderança global da C40, aliança de quase cem prefeituras para combater as mudanças do clima. Caterina acrescenta que as cidades são centrais nesse esforço, já que as áreas urbanas respondem por cerca de 67% do consumo mundial de energia primária e por 70% das emissões globais de gases de efeito estufa. Por isso, os municípios precisam participar tanto da elaboração quanto da implementação dessa transição. Em dezembro: Leilão de baterias já atrai novas fábricas para o Brasil Algumas iniciativas estão fazendo a diferença. No Rio de Janeiro, moradores de comunidades já têm acesso à energia solar, mais barata. Em Uberaba (MG), uma fábrica de fertilizantes à base de hidrogênio verde vai abrir oportunidades de emprego de qualidade a profissionais da indústria fóssil. Em Nova Délhi, na Índia, a prefeitura definiu uma política de eletrificação de veículos para reduzir a poluição no trânsito. E, em Viena, na Áustria, moradores substituem o gás natural pelas energias renováveis nos sistemas de aquecimento e refrigeração. São projetos premiados ou que se destacaram em fóruns internacionais, servindo de inspiração para gestores. Falta de planejamento e de mão de obra: os entraves para o Brasil transformar transição energética em desenvolvimento Para a diretora do Instituto E+ Transição Energética, Rosana Santos, a saída dos EUA dos acordos climáticos é um desafio, mas não impede que a transição energética justa aconteça: — A China vê a transição como um grande motor econômico. A Europa vê a transição como uma necessidade de segurança e diversificação. Estamos tímidos em projetos, mas o que acontece aponta direção e inspira. Energia solar chega a comunidades Moradores dos morros da Babilônia e do Chapéu Mangueira, na Zona Sul do Rio de Janeiro, conseguem reduzir a conta de luz a menos da metade, em alguns casos, ao optarem pela energia solar disponibilizada pela ONG Revolusolar. A iniciativa, que começou na comunidade carioca e foi semifinalista no prêmio Earthshot em 2025, considerado o Oscar da sustentabilidade, já alcança hoje mais cinco estados brasileiros — Espírito Santo, São Paulo, Tocantins, Pará e Amazonas. Todos os projetos são desenvolvidos em territórios de baixa renda. Instalação de painéis solares em imóveis na Babilônia, no Leme Revolusolar/Divulgação No Espírito Santo, a Revolusolar contemplou o primeiro conjunto habitacional Minha Casa, Minha Vida. Em Manaus, está na comunidade indígena Terra Preta, que usa a energia solar em escolas e abastecimento de postos de saúde. O projeto começou em 2015, por iniciativa do belga Pol Dhuyvetter, dono de uma pousada no morro da Babilônia, e, atualmente, conta com 22 usinas. Juntas, elas produzem 23,6 mil quilowatts-hora (kWh). O financiamento sai, principalmente, de editais e do apoio da iniciativa privada. Armazenamento hiráulico: Hidrelétricas reversíveis surgem como solução para ‘guardar’ energia Os cooperados e associados também repassam à ONG uma parte da economia na conta de luz, para pagar a manutenção do sistema e gastos administrativos. Para o futuro, o plano é chegar a todos os estados brasileiros e influenciar a política pública. Além disso, a ONG está preocupada em como aproveitar os painéis após o fim da vida útil. Uma solução apontada é transformá-los em mobiliário, como mesas e quadros decorativos. — Vejo o quanto a Revolusolar mudou a minha vida e a vida de outros — disse Adriano Hazad, diretor de Pessoas e Comunidades da ONG, liderança comunitária na Babilônia, que sofria com a falta de energia na infância. Uma alternativa para aquecedores a gás A Comissão Europeia premiou, no mês passado, o programa “100 Projetos para a Substituição Gradual do Gás” na categoria Ação Energética Local do Prêmio Europeu de Energia Sustentável, concedido anualmente. A iniciativa da prefeitura de Viena, na Áustria, foi reconhecida por acelerar a substituição do gás natural em sistemas de aquecimento e refrigeração por soluções baseadas em energias renováveis. Demanda em baixa: Excesso de energia leva ONS a exigir pela primeira vez corte de produção até de pequenas usinas A transformação acontece especialmente em edifícios residenciais, onde essa mudança costuma ser mais complexa. Edifício na cidade de Viena que teve aquecedores a gás substituídos VLA Project Development GmbH/Divulgação O objetivo da prefeitura de Viena é ter 100% dos sistemas de aquecimento e refrigeração renováveis até 2040. Liderado pelo Departamento de Planejamento Energético da cidade e implementado pela agência municipal de inovação climática Urban Innovation Vienna (UIV), o programa selecionou cerca de cem projetos para conversão de fonte de energia que abastecem os edifícios. Cada experiência é documentada em detalhes. Os desafios técnicos, jurídicos, financeiros e administrativos são identificados, e todo o conhecimento acumulado é transformado em guias e recomendações para facilitar novas conversões. Em vez de apenas financiar obras, o programa atua como uma plataforma de aprendizagem e disseminação de boas práticas. As obras de substituição dos sistemas de aquecimento são financiadas pelos proprietários das residências e por programas públicos de incentivo da cidade e do governo austríaco. Nos dois primeiros anos da iniciativa,1.030 caldeiras a gás foram substituídas por sistemas locais de energia renovável. Com isso, foi possível eliminar mais de 2.300 toneladas de CO2 por ano. Além disso, o programa fortaleceu empresas locais envolvidas na transição energética. Custo menor: Petroleiras abandonam investimentos no setor de eólicas offshore após reeleição de Trump Município mineiro marcado pela forte presença agrária em sua economia, Uberaba (MG) deve contar com uma fábrica de fertilizantes que vai utilizar o hidrogênio verde como insumo. Atualmente, 96% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados e têm o gás natural, um combustível fóssil, como matéria-prima. Hidrogênio verde para produção de fertilizantes O hidrogênio será obtido a partir da geração de 300 megawatts (MW) de energia em usinas solar e eólica. Além de ter a vantagem de aproveitar um insumo renovável numa indústria, o que caracteriza uma industrialização verde, o projeto da empresa Atlas Agro abrirá oportunidades de trabalho a profissionais atualmente ocupados na indústria fóssil. Lugar onde será construída fábrica de fertilizantes, em Uberaba (MG) Atlas Agro/Divulgação A fábrica deve gerar cerca de 2 mil empregos diretos durante a construção e mais 180 na operação. Será possível incorporar mão de obra da indústria petroquímica e de outros segmentos, como manutenção. Mas a chefe de Carbono da Atlas Agro Brasil, Elisa Figueiredo, diz que há um desafio na capacitação da mão de obra local: — É um segmento fresco na região. Para criar essa massa técnica pronta, a capacitação vai ser muito relevante. A gente traz uma página nova e muda a história de Uberaba, trazendo um segmento novo. São profissionais com um bom ensino técnico e com graduações. O investimento é estimado, por enquanto, em US$ 1,1 bilhão. Na fábrica, vão ser produzidas 530 mil toneladas de nitrato de amônia, para ser usado como fertilizante e pela indústria de mineração. A empresa já firmou contratos de venda de uma quantidade de nitrato de amônia equivalente a 22% da capacidade da fábrica. A expectativa é alcançar a marca de 56% em breve. Para enfrentar a poluição do ar, o governo de Nova Délhi está implementando uma nova política de veículos elétricos, a ser colocada em prática de 2026 a 2030. O documento estabelece um cronograma de eletrificação de veículos e foi destaque entre as iniciativas apresentadas pela C40 durante a London Climate Action Week, em junho. Incentivo para veículos elétricos A partir de 2027, apenas triciclos elétricos poderão ser registrados. Em seguida, em 2028, a política será ainda mais restritiva, exigindo que todos os novos registros de motocicletas e scooters sejam exclusivamente elétricos. A frota pública de ônibus de Nova Délhi será eletrificada até 2030 Prefeitura de Nova Délhi/Divulgação As escolas da capital indiana também vão ser obrigadas a cumprir metas graduais de eletrificação de suas frotas de ônibus, chegando à marca de 30% até 31 de março de 2030. Para as empresas de transporte por aplicativo, operadores de frotas e prestadores de serviços de entrega, as restrições são imediatas. Desde 1º de janeiro deste ano está proibida a incorporação de novos veículos convencionais equipados com motores a combustão. Já no setor público, a ordem é eletrificar os novos veículos alugados ou adquiridos pelos órgãos governamentais, além dos novos ônibus interestaduais operados pelo governo. A política prevê incentivo à compra de veículos elétricos e também beneficia o sucateamento dos antigos. Além disso, o governo aposta na infraestrutura. A Délhi Transco Limited responderá pela recarga e troca de baterias para veículos elétricos em toda a capital. Também vai atuar no planejamento, na coordenação e na criação da infraestrutura pública para eletromobilidade. Com essas medidas, a prefeitura espera estabelecer um ecossistema autossustentável na cidade.
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