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Smartwatches e aplicativos: veja 5 armadilhas ocultas do monitoramento constante da atividade física

2d agopt
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Muitas pessoas usam aplicativos, relógios inteligentes ou dispositivos vestíveis para monitorar sua atividade física. Os rastreadores de atividade prometem ajudar os usuários a se tornarem versões mais saudáveis, felizes e em melhor forma de si mesmos. Para muitas pessoas, eles podem ser úteis: um incentivo para se movimentar mais, uma forma de perceber padrões ou um lembrete de que a atividade física não precisa acontecer em uma academia. Mas os dispositivos de automonitoramento fazem mais do que registrar comportamentos. Por meio de lembretes, configurações padrão, sequências de dias consecutivos, distintivos e feedback automatizado, eles também moldam esses comportamentos. Há boas evidências de que o monitoramento pode ajudar algumas pessoas a se tornarem mais ativas. Mas também há um número crescente de relatos de ansiedade, vergonha e transtornos alimentares entre pessoas que acompanham seus dados de forma muito rigorosa. Isso levanta questões sobre a frequência desses prejuízos e por que eles acontecem, tema que venho pesquisando na última década. Aqui estão cinco razões pelas quais o monitoramento pode se tornar prejudicial. 1. A obsessão pelos passos A meta de 10 mil passos surgiu de um slogan de marketing para um pedômetro japonês da década de 1960 e não tem uma base científica sólida como objetivo universal. Pesquisadores continuam debatendo qual seria o número ideal, com alguns apontando cerca de 7 mil passos como uma meta mais realista e benéfica para muitos adultos. Ainda assim, os 10 mil passos continuam sendo amplamente tratados como um selo de boa saúde. O problema é que uma única meta não serve para todos. Ela também pode distorcer a percepção das pessoas sobre o valor de diferentes tipos de atividade física. Um rastreador pode interpretar incorretamente os movimentos do pulso ou deixar de registrar adequadamente ciclismo, natação ou musculação, porque essas atividades não se parecem com caminhar. Isso significa que os rastreadores frequentemente privilegiam aquilo que conseguem contar com facilidade. Os passos são visíveis, enquanto o treinamento de força, exercícios de mobilidade, Pilates, reabilitação e recuperação podem parecer menos importantes, embora possam ser exatamente o que determinada pessoa precisa. Isso pode dar aos usuários uma percepção distorcida do que conta como um movimento que vale a pena. 2. O movimento perde a alegria A parte mais difícil de se tornar fisicamente ativo é transformar isso em um hábito duradouro. Perseguir uma meta pode atrapalhar esse processo se transformar o movimento em uma obrigação, em vez de algo prazeroso. O objetivo passa a ser fechar um círculo no aplicativo, em vez de perceber do que seu corpo é capaz. Pesquisas sugerem que fracassar repetidamente em atingir metas pode levar as pessoas a abandonar tanto o dispositivo quanto os hábitos que tentavam construir. O prazer ajuda os hábitos a se consolidarem, enquanto métricas externas podem enfraquecer a motivação interna para se movimentar. Por isso, na próxima vez que você sair para se exercitar, experimente deixar os números de lado. Convide um amigo, coloque um podcast ou ligue para sua mãe. Quando se sentir satisfeito, volte para casa. A atividade continua valendo e, com o tempo, pode ajudá-lo a alcançar seus objetivos sem transformar os números na única medida de sucesso. 3. A lógica de que mais é sempre melhor Muitos dispositivos ainda fazem parecer que "mais" é a medida padrão de sucesso. Os lembretes são persistentes, os resumos frequentemente soam como repreensões sutis e a principal moeda de avaliação costuma ser o número de passos. O que isso frequentemente ignora é a capacidade, a habilidade e o contexto de cada pessoa. Você sabe quanto exercício realmente precisa? Que tipo de movimento pode causar lesão? Consegue interpretar seus próprios dados de VO2 máximo? Essas competências costumam ser tratadas como algo óbvio, mas muitas pessoas nunca tiveram a oportunidade de desenvolvê-las. Nossa pesquisa mostra que as pessoas ficam mais vulneráveis a prejuízos quando precisam lidar sozinhas com pressupostos que já foram definidos por elas. Elas podem entregar seu julgamento ao dispositivo e aceitar tudo o que ele diz. No entanto, o aparelho talvez não saiba o suficiente sobre você — se está se recuperando de uma doença, dormiu pouco, está lesionado, começou a se exercitar recentemente ou está grávida — para interpretar com segurança os dados daquele dia. 4. O usuário padrão não existe Grande parte do design e do marketing desses dispositivos é direcionada a um consumidor padrão e médio. Mas pesquisas mostram repetidamente que essa pessoa não existe. Diferimos em nossos corpos, histórias, objetivos e circunstâncias. Por isso, tentar encaixar todos no mesmo molde é um projeto mal concebido. O problema está no corpo imaginado pelo dispositivo: geralmente uma pessoa sem deficiência, não grávida, já confiante em relação aos exercícios e livre para priorizar atividade física todos os dias. Algumas configurações padrão também seguem normas sociais restritas, frequentemente baseadas em corpos masculinos, e reforçam ideias questionáveis sobre saúde e beleza. Pense no índice de massa corporal (IMC), que pode penalizar corpos musculosos e tratar corpos perfeitamente saudáveis de mulheres como problemas a serem resolvidos. Pressupostos semelhantes podem estar incorporados aos rastreadores de atividade quando eles incentivam, por padrão, a perda de peso ou reforçam ideias ultrapassadas sobre tamanho corporal e capacidade física. Em seus piores efeitos, eles podem levar algumas pessoas a se exercitarem em excesso ou comerem menos do que deveriam, causando danos reais ao corpo e à mente. 5. Ele culpa você quando as coisas dão errado O sedentarismo é um problema de toda a sociedade. No entanto, os rastreadores frequentemente apresentam a inatividade como uma questão de força de vontade individual. Isso pode desviar a atenção das condições que realmente influenciam quanto as pessoas conseguem se movimentar: ruas seguras, tempo disponível, dinheiro, responsabilidades com cuidados, deficiência, infraestrutura local e acesso a áreas verdes. Muitas pessoas relatam sentir pressão por parte do dispositivo. Quando a vida interfere em suas metas, elas podem sentir vergonha, fracasso ou simplesmente desistir. Pesquisas mostram que as pessoas usam esses dispositivos por uma ampla variedade de razões e objetivos. Isso significa que apoio e personalização são fundamentais para tornar o monitoramento mais seguro. Os dispositivos deveriam considerar os objetivos individuais, a experiência e o contexto de cada usuário, em vez de colocar toda a responsabilidade sobre ele, um padrão conhecido e injusto em saúde e assistência social. Alguns chamariam esses prejuízos de efeitos colaterais não intencionais. Mas eles também são o resultado previsível de escolhas de design que recompensam sempre o "mais", simplificam a saúde em pontuações e tratam metas não alcançadas como fracassos pessoais. Para os usuários, a primeira mudança é tratar o monitoramento como informação, e não como instrução. Um relógio pode dizer o que mediu. Ele não pode dizer do que seu corpo precisa hoje. A responsabilidade maior está com os desenvolvedores. Os rastreadores poderiam dar menos ênfase a metas fixas de passos, tornar mais visíveis os exercícios de força e outras atividades que não envolvem caminhar, incorporar descanso e recuperação sem gerar culpa e oferecer configurações padrão mais seguras para pessoas com diferentes corpos, capacidades, históricos de saúde e objetivos. Nada disso significa abandonar a tecnologia — significa apenas recusar-se a deixar que um número inventado determine se um movimento teve ou não valor. * Sahar Bakr é professora da Nottingham Trent University. * Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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