Quando arqueólogos abriram um túmulo na região de Issyk, no atual Cazaquistão, em 1969, encontraram um jovem coberto por mais de 4 mil ornamentos de ouro. A descoberta transformou o chamado "Homem de Ouro" em um dos achados arqueológicos mais famosos da Ásia Central e em um símbolo nacional do Cazaquistão. Mas uma dúvida permaneceu por mais de cinco décadas: afinal, quem era aquela pessoa? Gata é resgatada sob escombros em Kiev após ataque russo destruir prédio; veja vídeo Avião cargueiro desaparece após perder contato com torre de controle no Paquistão Um estudo publicado nesta sexta-feira na revista Science Advances oferece as respostas mais precisas até agora. A partir da análise de DNA antigo, pesquisadores concluíram que o indivíduo provavelmente era do sexo masculino e pertencia aos saka, um dos principais grupos que compunham os povos conhecidos como citas, nômades que dominaram as estepes da Eurásia entre os séculos VIII e III a.C. A pesquisa analisou material genético de 85 pessoas enterradas em diferentes regiões da Ásia Central durante a Idade do Ferro. Além de esclarecer a identidade do "Homem de Ouro", o trabalho mostrou que os integrantes da elite cita pertenciam às mesmas famílias, indicando que riqueza e poder eram transmitidos de geração em geração. O "Homem de Ouro" foi encontrado em um grande kurgan — como são conhecidos os monumentais túmulos construídos pelos povos das estepes. Embora a câmara principal tivesse sido saqueada na Antiguidade, uma câmara lateral permaneceu intacta. Nela, arqueólogos encontraram o esqueleto de um jovem vestido com uma elaborada roupa decorada por milhares de pequenas placas de ouro, além de uma espada, um punhal, joias e uma tigela de prata com uma inscrição que ainda desafia especialistas. Durante décadas, pesquisadores não conseguiram determinar se os restos mortais pertenciam a um homem ou a uma mulher. Os ossos estavam deteriorados, dificultando análises convencionais. Com técnicas modernas de sequenciamento genético, os autores do novo estudo conseguiram reconstruir parte do genoma e concluíram que o indivíduo era, provavelmente, do sexo masculino. Apesar disso, algumas perguntas permanecem sem resposta. Os cientistas não encontraram parentes próximos do "Homem de Ouro" entre os indivíduos analisados, o que sugere que ele pode ter pertencido a uma linhagem ainda não identificada. O contexto do enterro, porém, deixa pouca dúvida sobre sua posição social. O luxo do sepultamento, a quantidade de ouro e o tamanho do túmulo indicam que ele fazia parte da aristocracia cita. Segundo os autores, essa conclusão ganha força com outro resultado da pesquisa. O DNA revelou que integrantes da elite compartilhavam laços familiares e que o status era hereditário. Um dos exemplos encontrados foi o sepultamento luxuoso de uma criança de apenas um ano de idade, sinal de que a posição social era definida pelo nascimento, e não apenas por feitos militares ou políticos. Mais de meio século após sua descoberta, o "Homem de Ouro" continua sendo um dos personagens mais enigmáticos da arqueologia. O novo estudo ajuda a esclarecer sua identidade, mas ainda não permite saber exatamente qual era seu papel na sociedade — se governante, guerreiro, príncipe ou líder religioso. Para os pesquisadores, novas análises de DNA de túmulos da Ásia Central poderão ajudar a preencher essas lacunas nos próximos anos.
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