A prefeitura de São Paulo notificou a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) a devolver R$ 906 mil aos cofres públicos por notas fiscais de prestação de serviços emitidas e posteriormente canceladas, e pediu mais esclarecimentos sobre serviços declarados pela instituição que somam R$ 11,9 milhões. A ONG é de Karina Ferreira da Gama, que é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Leia mais: Entenda a relação entre produtora de 'Dark horse' e contrato para programa de wi-fi suspeito de irregularidades em SP Em um ofício enviado no último dia 1º, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), com quem o ICB tem um contrato para instalação de pontos de Wi-Fi público em bairros periféricos de São Paulo, aponta uma série de irregularidades na prestação de serviços da ONG, como despesas sem lastro bancário, contas de telefone com endereços diferentes do local onde a ONG presta serviços, pagamentos feitos antes da emissão de notas e falta de detalhamento dos serviços prestados. Os valores que devem ser devolvidos ao poder público, que somam R$ 906 mil, são relativos a quatro notas fiscais emitidas entre abril e junho de 2025 e posteriormente canceladas pelas empresas. Três delas foram para o mesmo fornecedor, JR Feijão LTDA, somando R$ 406 mil, e uma para a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia LTDA, no valor de R$ 500 mil. Outro questionamento da secretaria diz respeito a contratos de serviços contínuos e que, segundo a pasta, “carecem de detalhamento mínimo” pois não especificam “a área geográfica de atuação, os pontos de acesso instalados ou o escopo exato das atividades”. Por isso, a prefeitura pediu a juntada de documentação complementar. Neste caso, a pasta elenca 15 notas fiscais sob suspeita, sendo 11 relativas à gestão operacional e instalação de pontos de Wi-Fi, e as outras relativas a pesquisas de opinião e mercado e serviços de comunicação. O poder público afirma que a ONG precisa “apresentar relatórios de medição, mapas de ativação ou outros documentos técnicos idôneos para acompanhar a execução do serviço e integrá-los ao relatório consolidado” e, em relação às pesquisas e ao serviço de comunicação, é preciso entregar “relatórios consolidados e dos sumários executivos das pesquisas aplicadas para fins de comprovação da despesa” e “relatórios de veiculação e comprovação de mídia para anexação ao consolidado”. Ao todo, os serviços que precisam ser melhor detalhados somam R$ 11,9 milhões. Na última segunda (6), Karina respondeu ao ofício da prefeitura informando que o ICB "já iniciou a análise das solicitações" e que vai adotar as "providências necessárias para reunir a documentação e os esclarecimentos requeridos" A inconsistência nas prestações de contas do ICB no âmbito do programa Wi-Fi Livre foi alvo de uma operação da Polícia Civil no início de junho. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no ICB e em endereços ligados a Karina Gama, e também na sede da SMIT, no Centro da capital. Para a polícia, há “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” e de que os recursos públicos repassados pela Prefeitura de São Paulo à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), contratada para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da cidade, tenham sido desviados para custear a produção do filme “Dark Horse”. O GLOBO já havia mostrado que a ONG apresentou à prefeitura notas fiscais de serviços para si própria, e já teve de devolver ao município valores considerados não comprovados anteriormente.
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