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Livro sobre jovem preso nas manifestações de 2013 vira peça no Rio

3h agopt
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“A cadeia é o espaço da completa ilegalidade”, afirma o professor e escritor Igor Mendes, autor do livro “A pequena prisão”, cuja adaptação estreia nesta quinta-feira (9) no Teatro Poeirinha, em Botafogo, no Rio de Janeiro. A obra narra os sete meses que passou no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, após ser um dos 23 jovens presos arbitrariamente no Rio por participar das manifestações de 2013 e 2014. Com dramaturgia de Daniela Pereira de Carvalho e direção de Fernando Ceylão, o solo com Vino Fragoso explora as relações humanas que Igor observou no sistema carcerário. São mais de 30 personagens com diferentes histórias de vida, de detentos e agentes penitenciários a advogados. 'Apocalip-se': Homem só fala com IA e vive isolado desde a pandemia em comédia musical que estreia no Rio Ingressos à venda: Claudia Raia leva musical 'Tarsila, a brasileira' ao Theatro Municipal do Rio O cenário é composto por oito portas-grade modulares. Movidas ao longo da peça, elas criam corredores, celas e diferentes representações para a opressão, deixando até o público encarcerado. — A ideia é que o espectador veja um novo universo através delas a cada cena. Tirar o público da zona de conforto o ajuda a estar presente o tempo todo — explica Vino, que também assina a cenografia. Entre histórias pesadas e outras que chegam a arrancar risadas, a peça apresenta a realidade dos presos sem maniqueísmos. Para dar vida às cerca de 30 figuras, o ator criou códigos para cada grupo: detentos, agentes e libertos. Vino Fragoso em "A pequena prisão", baseado em relato de Igor Mendes sobre o sistema carcerário brasileiro Divulgação/Letícia Cecília — Mudam o jeito de andar, o sotaque, os gestos, mas o principal que trabalhamos foi o olhar, que, para mim, é o que marca um bom personagem — diz o diretor. Publicado há nove anos, o livro segue retratando a realidade do cárcere. Para o autor, o sentimento é ambíguo, pois evidencia que problemas persistem. Mas ele tem esperança: — Apesar da dureza, vi nascer ali solidariedade. A peça traz também a mensagem de que é possível sobreviver mesmo em situações extremas, tanto lá dentro, como aqui fora. Memória em disputa Após a publicação de "A pequena prisão", Igor lançou “Esta indescritível liberdade” (2020), finalista do Prêmio Jabuti, e “Junho febril” (2023), que ganhará adaptação para o cinema, com roteiro de Marlon Andrade em colaboração com o autor. Ambas as narrativas ficcionais relembram, sob o ponto de vista de jovens, o levante dos movimentos sociais que culminou nas chamadas Jornadas de Junho, e funcionam como complemento à primeira obra. — Quando saí da prisão, tinha a ideia de escrever um livro sobre 2013. É um ponto em aberto, em disputa, e eu sei a responsabilidade que tenho, fui participante direto daquele acontecimento. "A pequena prisão" seria um capítulo de um livro grande, mas logo me dei conta de que a prisão é um universo. O livro conta o resultado da minha participação, mas ainda faltava falar sobre as próprias Jornadas — explica. Na obra indicada ao Jabuti, um adolescente de 15 anos e um professor de uma escola de periferia lidam com amores, dúvidas e sonhos em meio às transformações sociais enfrentadas pelo país no período logo antes do evento. Já a obra mais recente intercala a trajetória de três jovens de diferentes realidades sociais e mostra como as manifestações atravessaram suas rotinas, mexendo com subjetividades e planos de vida. — "Junho febril" é uma reconstituição daqueles acontecimentos, uma tentativa de tirar as camadas densas de interpretação que se acumularam de lá para cá e reconstruir aqueles eventos do ponto de vista de quem estava lá dentro — finaliza. Serviço Onde: Teatro Poeirinha, Botafogo. Quando: 9 de julho a 30 de agosto. Que horas: Qui a sáb, às 20h. Dom, às 19h. Quanto: R$ 100. Assinante O GLOBO tem desconto. Classificação: 18 anos.
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