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Jeitinho brasileiro: réplica da taça esconde a cerveja dos torcedores da polícia nos EUA

2h ago

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Extra OnlineJeitinho brasileiro: réplica da taça esconde a cerveja dos torcedores da polícia nos EUAglobo.com
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Parece uma simples réplica da disputadíssima taça da Copa do Mundo, o símbolo máximo do futebol mundial. Douradas, duas figuras humanas seguram a Terra e, surpresa!, acolhem — e escondem — uma latinha de cerveja. Adotado por torcedores brasileiros que estão nos Estados Unidos há quase duas semanas, o artefato é um drible nas leis americanas. Nos lugares onde o Brasil vem jogando, é proibido consumir bebidas alcoólicas em áreas públicas. Houston, palco do mata-mata contra o Japão, é uma das poucas cidades-sede com regras mais flexíveis. Nas outras, foi o jeitinho brasileiro que tratou de resolver a proibição. SINCERÃO: 'Se vão nos mandar à merda, vamos mandá-los também', diz Mbappé após classificação da França sobre o Paraguai MISTER: Ancelotti responde à provocação de técnico da Noruega e parabeniza Cabo Verde contra a Argentina: 'Quem diria' A taça porta-lata foi avistada pelo GLOBO em eventos da torcida e também à venda na internet. Comerciantes nacionais anunciam o produto, feito em impressora 3D, por pelo menos R$55. Quem compra fora do país, já em território americano, chega a pagar $40 (cerca de R$206) — é a oferta de um e-commerce baseado em Nova Jersey, onde mora a terceira maior comunidade brasileira no país. O investimento na artimanha se soma aos altos custos do álcool, muitas vezes influenciado pelo chamado “imposto do pecado” (“Sin Tax”, em inglês). Ele eleva o preço final de bens de consumo que representem riscos à saúde e à sociedade, como as bebidas. Nesta Copa, a cerveja custa ao menos $16 (R$80,98) nos estádios. Embora esconda essa companheira inseparável do futebol brasileiro, o acessório em forma de troféu não necessariamente impede que seus portadores sejam punidos. A dficuldade já foi enfrentada nas Copas da Rússia, em 2018, com restrições nas ruas, e do Qatar, em 2022, com a cerveja vetada até mesmo dos estádios. — Tenho visto mais uma adaptação de comportamento do que uma mudança de hábito. Quem veio não deixou de consumir bebida por causa das leis locais — afirma Pedro Magalhães, 35, turista carioca que viajou a Nova York durante a Copa: — Para evitar chamar a atenção, vi gente usando sacolas de papel para cobrir as bebidas ou trocando-as para frascos de refrigerante e café ou saquinhos para líquidos de hidratação. As consequências pelas violações dependem do grau de atenção da polícia. Em NY, a multa por beber em público é de $25 (cerca de R$129): em junho, um grupo de brasileiros jogando “altinha” em plena Times Square foi abordado por policiais, e um deles, de latinha na mão, acabou autuado. Filmada, a ação viralizou on-line e acendeu o alerta: — Turistas não costumam sofrer consequências imigratórias significativas (como a deportação) apenas por serem flagrados consumindo bebida alcoólica em local público. Trata-se, normalmente, de infrações de baixa gravidade que, por si só, dificilmente resultariam em remoção dos EUA apenas por esse motivo — afirma a advogada Jéssica Freitas, advogada especializada em imigração, em NY. Brasileiros tomam conta da Times Square na espera pela estreia da seleção na Copa Reprodução/X A profissional destaca que as consequências, no entanto, podem ser de longo prazo, como na solicitação de vistos no futuro. Ela também alerta para as diferenças entre as localidades: apesar de ser uma “infração de menor gravidade” em NY, “outras jurisdições podem prever consequências mais severas” para quem bebe em público, diz a advogada. Em Newark, a cidade de Jersey que concentra a população migrante do Brasil, o teto para a punição de mesmo tipo é de $500 (R$2,5 mil). Foi nos arredores dela que a seleção empatou com o Marrocos, no MetLife Stadium, palco da partida contra a Noruega amanhã. Na Filadélfia, onde os jogadores bateram o Haiti, a cobrança de até $300 (R$1,5 mil) pode se somar a outra, de até $1 mil (R$5,1 mil), caso o transgressor seja enquadrado também num delito chamado de “intoxicação em público”. Em Miami, cenário da vitória contra a Escócia, quem bebe e perde a sobriedade pode, além das multas, arcar com até 60 dias na cadeia, se causar pertubações à cidade de forma recorrente. Fumar também é proibido, inclusive na praia, principal ponto turístico local. Apesar da pecha do Texas como um estado rigoroso, Houston (onde o Japão ficou para trás) permite bebidas alcoólicas em público, com algumas exceções. São elas: espaços próximos a escolas, parques estaduais (correspendentes a metade das áreas verdes do município) e toda a região central e financeira da cidade — o NGR Stadium, onde a seleção enfrenta os japoneses, fica a mais de oito quilômetros da região vetada. Ainda assim, as leis texanas proíbem a intoxicação em público, punida com multa de $500. ‘Diferença cultural’ Brasileiro radicado na Flórida, Rodrigo Oliveira, 28, foi multado por beber em público logo que se mudou para Orlando, sete anos atrás. Ainda universitário, ele e quatro amigos consumiam álcool num posto de gasolina localizado numa highway, entre uma festa e outra. Mesmo sendo apenas passageiro do carro dividido pelo grupo, Oliveira precisou desembolsar $280 (R$1,4 mil) na época. O fato de o veículo estar estacionado também não aliviou em nada as punições, que incluíram presença diante de um juiz e inclusão do caso nos registros criminais (trata-se de um “misdemeanor”, similar à “contravenção” no Brasil). Hoje, enquanto assiste aos jogos da Copa nos bares Orlando, Oliveira reforça os cuidados com a bebida alcoólica, ainda mais quando associada ao transporte de carro. — Temos que aprender com os erros. Seria normal, para nós brasileiros, beber na rua ou no banco do passageiro. Numa corrida de app no nosso país, o motorista pode até aumentar o volume da música quando nos vê com uma latinha, tentando animar o momento. Aqui, é diferente — reflete o jovem, com uma analogia: — Há outros exemplos. No Brasil, quando vamos sair, checamos pertences para não serem roubados. O cálculo está dentro da nossa cabeça, mas não é necessário nos EUA. É uma diferença cultural.

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