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Entrevista: ‘Avaliação do PT em Minas é muito ruim, e melhor estratégia é candidato fora do partido', diz Camilo Santana

4h agopt
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Ex-ministro da Educação e atual integrante da coordenação de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Camilo Santana (PT-CE) afirma que o PT não deveria ter candidatura própria em Minas Gerais, sob pena de sofrer um revés eleitoral importante no segundo maior colégio eleitoral do país. Santana admite que a memória de avaliação ruim do governo de Fernando Pimentel no estado dificulta a viabilidade eleitoral da legenda no estado. O parlamentar defende que o PT apoie um nome de partido aliado e classifica essa indefinição como "a maior preocupação" da definição dos palanques, a poucos dias do início do período das convenções. Enquanto o governo anuncia um pacote de medidas com impacto fiscal às vésperas da eleição, o ex-ministro admite a necessidade de um ajuste nas contas no início de um eventual quarto mandato. Ao assumir a liderança do PT no Senado, Camilo Santana afirma que tem atuado para distensionar a relação entre Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), mas admite que "ficou um arranhão" após Jorge Messias ser derrotado para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Defensor de que não se deve "fechar a porta para ninguém", Santana afirma que as sucessivas crises da campanha de Flávio Bolsonaro têm aberto diálogo para uma aliança da federação União-PP com Lula durante a corrida presidencial. Em Minas, o PT tem defendido candidatura própria, mas a última gestão petista no estado, de Fernando Pimentel, foi muito mal avaliada. Corre-se o risco do PT sofrer um revés importante em MG se manter candidatura própria? Esse é um dos motivos pelo quais eu defendo que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do (Fernando) Pimentel (o petista governou Minas entre 2015 e 2018). Mesmo levando em conta todas suas justificativas da época, as dívidas com a União, a avaliação do PT por lá foi muito ruim. Não é risco de fiasco, mas a melhor estratégia para Minas é ter um candidato que não seja do partido, que seja do arco de alianças. Claro que vamos ter que ver a disponibilidade e a disposição desses. Nomes como Jarbas Soares (PSB) e Gabriel Azevedo (MDB)? O Edinho está conversando com todos, mas claro que é importante ouvir o PT do estado, porque as realidades são distintas. Mas para fortalecer a campanha do presidente Lula em Minas é importante ter um arco de alianças maior, com candidatos que possam ter viabilidade eleitoral. Marília Campos, um dos principais nomes do PT em MG, rejeita a ideia de disputar o governo para disputar o Senado, contrariando partido. Como avalia a postura dela? Respeito a decisão pessoal dela, mas acho que há determinados momentos que tem missão a cumprir. O próprio Haddad, que não queria ser candidato em São Paulo e é um nome importante, com viabilidade. O resultado só temos quando termina o jogo. O nome mais competitivo hoje do PT seria Marília e ela tem resistido, colocado o nome dela para o Senado. Os desgastes sucessivos da campanha de Flávio têm abalado a relação do PL com União Brasil e PP. Ciro Nogueira há poucos dias elogiou Lula, disse ter uma admiração enorme pelo presidente. Dá para buscar aliança com esses partidos para a campanha? Acho que dá e Edinho tem feito isso. Vamos procurar dialogar com todos que queiram conversar. E hoje há um diálogo concreto com o União Brasil, a federação (com o PP), discutindo o futuro do Brasil e essas eleições. Tanto a discussão dos estados e também cenário nacional, inclusive para possibilidade de uma aliança ou não. Eu defendo que tem que fazer uma aliança, quanto mais tempo de televisão melhor. O senhor acha que é possível fechar uma aliança com União-PP? O prazo é até 5 de agosto. Está em diálogo essa possibilidade ou a possibilidade de uma neutralidade junto a nível de presidente e aí construir as parcerias que forem possíveis nos estados brasileiros. As crises na campanha do Flávio, como o caso Dark Horse, facilitam as conversas? Não tenho dúvida de que isso foi que permitiu esse diálogo. A fragilidade do Flávio nas pesquisas, isso tudo ajuda, porque os partidos querem perspectiva de vitória, isso faz parte do movimento do jogo de xadrez nas eleições. Hoje eu acredito que há uma possibilidade nesse sentido. Defendo que a gente não deve fechar portas para ninguém. Partidos do Centrão costumam apoiar em troca de espaço em um futuro governo. Isso está em discussão? Sou contra qualquer negociação antecipada e de participação no governo. Eu sempre digo: "Olha, nós queremos vocês para eleição e queremos vocês para governar". Faz parte da do jogo democrático da política. Com certeza teremos espaços para todos aqueles aliados, isso faz parte da história da política e é natural. Mas Antônio Rueda faz críticas públicas ao governo. Ciro Nogueira também não está próximo de Lula. Por isso que a possibilidade de neutralidade, como no caso do MDB, é a mais possível. Da mesma forma, como União e o PP, pode caminhar também para isso. A disputa entre a direita pelo governo do Ceará foi o epicentro da briga entre Michelle e Flavio Bolsonaro. Qual é o risco do PT perder no estado? Nós vamos trabalhar muito para manter o PT governando o Estado de Ceará. O que está acontecendo no Ceará é o interesse do deputado federal André Fernandes em querer eleger o pai dele senador e ele sabe que um senador precisa ter uma candidatura de governo com possibilidade de disputa e tem o Ciro que tomou a decisão de mudar de lado. Qual é a incoerência que a ex-primeira-dama Michelle fala? É só ver o que Ciro falava dos bolsonaristas, era os piores nomes que você possa imaginar e, de uma hora para outra, estão juntos e são maravilhosos. Nós vamos mostrar o que essa turma representa para o Ceará e o que nós fizemos, o que Elmano fez e aí é só comparar. Quem mudou de lado foi o Ciro e nem o irmão dele (Cid Gomes) está do lado dele. Ciro Gomes aparece 11 pontos à frente de Elmano na pesquisa Ipec. É uma ameaça? Vamos ver agora (próximas pesquisas). O Evandro começou a campanha com 4% em Fortaleza, o Elmano começou com 8%, foi eleito em primeiro turno. Ciro Gomes teve 6% dos votos na eleição passada para presidente da República em Sobral, na cidade dele, é bom lembrar disso. Perdeu até para o Bolsonaro. Ele está se apresentando como salvador da pátria, mas é a turma da mentira, da fake news. Se for olhar em todas as áreas do Ceará, nós melhoramos. A população ainda não está preocupada com eleição. A briga de Flavio e Michelle pode ajudar o PT no Ceará? A Michelle está sendo coerente. O candidato que representa o bolsonarismo no Ceará não é o Ciro, é o senador Eduardo Girão (Novo-CE). Como é que a pessoa pode se sentir? Bolsonaro foi agredido pelo Ciro. Falaram mal do marido, falaram mal dela, falaram mal dos filhos e agora é o meu candidato do Ceará? Incoerência. Será que a política é um vale tudo? Não faço política dessa forma, política é feita em cima de ideias. Michelle está sendo coerente pela história e pelo passado do candidato. É o oportunismo do momento. Se for necessário, o senhor vai disputar o governo do Ceará? Não, o candidato é o Elmano e ele será reeleito. O senhor disse que o PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro, em apoio à classificação feita pelos EUA, o que contraria a posição do governo. Por quê? Se tiver alguma palavra ou adjetivo ainda pior do que terrorista para classificar as facções criminosas, temos que classificar. As facções criminosas causam terror na população. Isso não significa concordar com a atitude que o governo americano tomou. Agora, o que que nós queremos do governo americano? Queremos ajuda? Queremos. Queremos parceria, colaboração, respeitando a nossa soberania e o nosso país. O senhor defende um discurso mais duro para tratar de segurança pública, mas o PT ainda contemporiza muito o tema. O senhor conversa sobre essa abordagem com o presidente? Ele sabe que eu sou mais linha dura nesse aspecto. Mas o governo federal não pode assumir essas responsabilidades, sem ter o poder constitucional para isso. Então, a PEC da Segurança dá mais poder para que o governo federal possa coordenar essa questão a nível nacional. E partir daí, criar o Ministério da Segurança, discutir orçamento, construir estratégia e já ter ações A aprovação da PEC da Segurança depende de uma reaproximação de Lula com Alcolumbre? O presidente do Senado praticamente não tem colocado as pautas mais importantes do governo em votação em razão da crise com o Messias. Falta aí um pouco de diálogo. O próprio presidente Alcolumbre tem colocado que deseja uma reaproximação e um diálogo com o presidente. Ele mesmo tem colocado a muitos interlocutores. E meu papel na liderança do PT é tentar distensionar, ajudar a Teresa, ela já tem feito um esforço grande. Queremos garantir esse diálogo do presidente Lula com Alcolumbre para distensionar e aprovar a PEC da Segurança e o fim da escala 6x1. Lula demonstra não estar com pressa para ter esse encontro. O presidente teve uma agenda muito intensa nas últimas semanas por conta dos prazos de poder inaugurar as entregas e obras. É claro que ficou um arranhão na relação, mas eles vão conversar, vão distensionar isso pelo bem do Brasil. Você acha que vai ter conversa entre eles antes das eleições? Claro. Com certeza. As relações de Jaques Wagner com o ex-sócio do Master, Augusto Lima, criam constrangimento para campanha? O Jaques é o cara que a gente conhece ao longo da sua história, a sua passagem como senador, como ministro, é uma pessoa muito correta. Ele tem se articulado seus advogados para apresentar a sua defesa. Só tenho a prestar a minha solidariedade pela toda sua história de vida pública. Lula tem feito um pacote de bondades nesse período pré-eleitoral, especialmente com estímulo de crédito. Segundo economistas, as medidas somam R$ 215 bilhões. Lula está usando a máquina para se reeleger? O governo precisa estar em sintonia com as necessidades do povo brasileiro. O Desenrola 2 foi lançado verificando que a população brasileira está precisando de medidas governamentais para resolver o problema do crédito e do endividamento. Não é pacote de bondades, é tratar os reais problemas da população com soluções concretas. Vai ser necessário um ajuste nas contas no início de um eventual quarto mandato? Sempre vai. Só acho que a gente precisa encontrar um mecanismo de fazer o Brasil crescer mais rápido, ter mais investimento público e privado, ter mais investimento em educação. Porque, se você for para olhar os indicadores da educação, nós conseguimos melhorar todos. Mas nós precisamos fazer com que o Brasil inteiro ande mais rápido do ponto de vista educacional. O Brasil está começando a envelhecer, está perdendo uma janela de oportunidades enorme.
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