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Do espanto de um norueguês, surge a transformação: Instituto Karanba completa 20 anos mudando vidas no Rio

9h ago

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Extra OnlineDo espanto de um norueguês, surge a transformação: Instituto Karanba completa 20 anos mudando vidas no Rioglobo.com
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Brasil e Noruega duelam por uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo neste domingo. Nos Estados Unidos, a rivalidade é alimentada por tabus históricos: a seleção brasileira nunca venceu os noruegueses e quer continuar sonhando com o hexa inédito e com o fim do jejum de 24 anos sem conquistar um Mundial. No Brasil, no entanto, um ex-jogador norueguês aproxima as duas nações e dedica a vida e 100% do seu tempo a transformar a sensação de espanto da sua chegada ao país em algo muito diferente. 'Não sabia mais quem era': Tommy Nielsen se viu perdido após lesão aos 25 anos e recuperou alegria no Brasil com projeto social Ana Branco/Agência O Globo —Eu me perdi. Perdi a minha identidade. Não sabia mais quem era, porque o meu mundo era o futebol — afirmou Tommy Nielsen em entrevista ao GLOBO. O ex-jogador, hoje com 50 anos, machucou o joelho aos 25 e, depois disso, não conseguiu mais voltar a praticar o esporte que tanto amava como profissão. Em 2004, após a lesão, decidiu vir ao Brasil de férias e, tomado por uma paixão fulminante, soube que aqui era o seu lugar. Depois de três semanas no Brasil, voltou para a Noruega e, em questão de um mês, vendeu tudo que tinha e retornou ao Brasil para ficar de vez. No início, morou no Jardim de Alah, na Zona Sul do Rio. Lá, se espantou com as diferenças sociais latentes da realidade brasileira. Bola de Cristal aponta caminho do Brasil rumo ao hexa: Confira as chances em cada fase da Copa do Mundo Conheça o 'Palpiteiros': Mais que um bolão, o campeonato de palpites da Copa do Mundo — Eu era vizinho da comunidade Cruzada São Sebastião e meus amigos brasileiros eram todos de lá. Eles me apresentaram a Cidade de Deus, a Rocinha, o Cantagalo, o Pavão-Pavãozinho e tudo que eu pensava era: "Caramba! Quantas pessoas incríveis inseridas dentro de uma realidade sem oportunidade. Caramba! Que contraste da minha vida segura na Noruega pra essa realidade" — relembrou Tommy. Dessa inquietude e de uma expressão bem brasileira, surgiu a vontade de transformar essa realidade. A eduação, no Karanba, é prioridade; Tommy contou que o Instituto hoje oferece mais horas de apoio escolar do que de prática esportiva Ana Branco/Agência O Globo O Instituto "Karanba" de Tommy, com "K" para diferenciar o projeto da expressão e "N", de Noruega, começou no condomínio dele em 2006. No boca-a-boca, saiu de um pequeno grupo de crianças para mais de duzentas em um ano. — No início, não tinha conta bancária, não tinha patrocinador, não tinha estrutura física nenhuma, não tinha bola, não tinha uniforme, não tinha nada; era só um maluco e um sonho muito grande de usar futebol e educação para transformação social — disse. Vinte anos depois, mais de 10 mil crianças já passaram pelo projeto, que hoje está estabelecido em São Gonçalo — em espaço próprio com três campos de futebol e duas salas de aula — e conta com apoio de empresas norueguesas, como a Equinor, da Lei de Incentivo ao Esporte e de pessoas físicas, que continuam a acreditar no projeto. Não é só futebol Muito orgulhoso, Tommy contou que, hoje, o Karanba tem mais horas de apoio escolar do que esportivas. São 78 horas semanais dedicadas à educação, com aulas de apoio no contraturno escolar, e 74 dedicadas à prática esportiva, atendendo a 750 crianças, de 6 a 20 anos, em 2026. Além disso, através do projeto Gols de Caneta, o instituto banca matrículas em universidades para 11 meninas. — Desde muito cedo eu tenho essa preocupação de fazer com que o Karanba fosse um trampolim para uma vida sustentável, melhor, digna — contou Tommy. Alessa da Silva Oliveira, de 18 anos, é uma das meninas que participa do "gols de caneta". Hoje, ela cursa administração numa universidade privada, custeada pelo Karamba, e recebe uma bolsa mensal de R$400 para outras despesas. — Terminei meu terceiro módulo agora. E eu tô treinando, eu tô estudando, eu tô trabalhando e tudo tem a ver com Karanba de algum jeito. Então, é tipo...é uma loucura, mas é uma loucura que eu gosto, uma loucura que eu tô acostumada — afirmou a jovem, que também é muito elogiada pela habilidade em campo. Um dos únicos pré-requisitos para que as crianças, em sua imensa maioria de São Gonçalo, participem do projeto é a apresentação das declarações escolares três vezes por ano. Verônica Lima, 35, professora de educação física, coordenadora esportiva e funcionária da instituição há 14 anos, endossa a importância do acompanhamento escolar. — É a nossa maior preocupação. Teve ano que batemos menos de 1% de evasão escolar entre os nossos alunos. É motivo de orgulho e vira um propósito de vida — contou Verônica. Tabela da Copa: Acompanhe os resultados de todos os jogos e a classificação Whatsapp: Receba as notícias da Copa em primeira mão no seu celular Newsletter 'Hoje na Copa': receba sempre pela manhã aEs notícias mais importantes do dia O Karanba conta com 750 crianças hoje em dois turnos, manhã e tarde, sempre respeitando os horários escolares dos alunos Ana Branco/Agência O Globo Transformação Tommy Nielsen disse que, no instituto, é comum usar o verbo "Karanbar", que resume o trabalho de todos dentro do Karanba e a influência na vida das crianças que passam por ali. Desde Lidiane da Silva Antunes, que passou pelo Karanba e em 2023 foi defender a equipe feminina do Damaiense, de Portugal, profissionalmente, a Jenderson Alves, de 34 anos, integrante da primeira turma do Karanba, de 2006, e há 13 anos marinheiro mercante na Noruega, o verbo "Karambar" encontra significado. O Karanba já participou nove vezes da maior competição de base da Noruega, a Norway Cup; No Brasil, foi vice-campeã da modalidade feminina da taça das favelas ano passado Ana Branco/Agência O Globo Neste ano, em celebração aos 20 anos de existência do Karanba, Tommy vai viajar com 43 crianças do projeto para a Norway Cup, na Noruega. O torneio é a maior competição de categorias de base do país e, a participação de 2026 marca a décima vez do Karanba no torneio noruguês. Serão 16 meninos e 16 meninas, respeitando as diretrizes de equidade do instituto e mais 10 lideranças — além da filha de 5 anos de Tommy —, que esperam mais um bom resultado na competição. — No Karanba a gente diz que o foco não é 100% no esportivo, mas acreditamos que temos chances e vamos chegar lá para sermos campeões, no masculino e feminino — afirmou a coordenadora esportiva Verônica Lima. Relação com O GLOBO Instituto Karanba foi tema de reportagem do GLOBO em 2007 por causa de um anúncio inusitado no jornal Acervo O GLOBO Em 2007, um ano após a criação do Karanba, Tommy decidiu procurar treinadores através de um anúncio de jornal. A equipe do GLOBO achou o anúncio inusitado e foi atrás da história do norueguês pela primeira vez. O título desta matéria, inclusive, relembra a primeira reportagem que ajudou Tommy a encontrar seus primeiros treinadores para o instituto e, também, os primeiros apoiadores no Brasil. A reportagem traz dois personagens: os gêmeos Jenderson e Vanderson Alves. À época, os dois faziam parte do projeto e integravam a primeira turma do instituto, que ainda utilizava o prédio de Tommy, na zona sul do Rio, como sede. Quase 20 anos depois, Jenderson trabalha na marinha mercante e atribui as oportunidades que teve ao projeto. — Tommy é como se fosse um pai para mim , o conheci em 2006 e desde então temos uma relação de muito respeito e orgulho. Ingressei na marinha mercante e este ano fiz 13 anos trabalhando numa empresa na Noruega. Comecei como moço de cônves e hoje atuo como Mestre. Agradeço ao Tommy e a todos que contribuíram para o Projeto Karanba dar certo — concluiu Jenderson. Brasil x Noruega Hoje, mais brasileiro do que norueguês e morador de São Gonçalo, Tommy não se esquivou ao falar do resultado da partida deste domingo. — O Brasil é o grande favorito. A Noruega pode até vencer, mas acho difícil — disse o ex-jogador. Em busca do retorno às quartas de finais de uma Copa do Mundo e, também, de uma vitória inédita sobre a Noruega, o Brasil entra em campo neste domingo, às 17h (horário de Brasília), no estádio de Nova York/Nova Jersey (EUA).

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