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Como saber se o estresse no trabalho passou do limite: a explicação do Dr. Éverton da Costa Sagiorato

6h agopt

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Extra OnlineComo saber se o estresse no trabalho passou do limite: a explicação do Dr. Éverton da Costa Sagioratoglobo.com
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Cansaço no fim do dia é esperado. Cansaço que não passa no fim de semana, irritabilidade constante com colegas, dificuldade de dormir pensando em tarefas do trabalho, isso já é outra história. A linha entre estresse comum e sobrecarga psicológica relacionada ao trabalho nem sempre é clara para quem vive dentro dela, e é justamente esse ponto que a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 tentou endereçar, obrigando empresas a olhar com mais atenção para esse tipo de sinal. Dr. Éverton da Costa Sagiorato, médico do trabalho, explica o que caracteriza esse tipo de risco e por que ele costuma passar despercebido por tempo demais. O que diferencia estresse pontual de sobrecarga psicossocial? Todo trabalho gera algum nível de estresse, isso é esperado e, dentro de certo limite, até funcional. O problema começa quando esse estresse se torna constante, sem espaço de recuperação entre um pico e outro, e passa a interferir em áreas da vida que deveriam funcionar como pausa, como sono, alimentação e relação com família e amigos. "O corpo e a mente são feitos para lidar com pressão pontual, não com pressão contínua sem alívio. Quando alguém carrega a tensão do trabalho para dentro de casa, todos os dias, por meses, isso deixa de ser 'estresse normal' e passa a ser um sinal de que algo na organização daquele trabalho não está funcionando", explica o médico do trabalho. Os sinais que costumam aparecer antes do esgotamento Segundo Dr. Éverton da Costa Sagiorato, alguns sinais tendem a aparecer de forma gradual, antes de um quadro mais grave de esgotamento profissional. Dificuldade de concentração em tarefas antes simples, irritabilidade fora do padrão habitual da pessoa, cansaço que não melhora com uma noite de sono e sensação recorrente de que o trabalho nunca termina, mesmo fora do expediente, são exemplos citados com frequência em consultas ocupacionais. "Esses sinais isolados, de vez em quando, não significam necessariamente um problema. O que preocupa é quando eles se tornam padrão, persistem por semanas, e a pessoa não consegue identificar um motivo pontual e passageiro para explicar aquilo", pondera. Quais sinais podem indicar que o estresse no trabalho ultrapassou o limite saudável? Cansaço que não melhora com descanso, irritabilidade fora do padrão habitual, dificuldade de concentração em tarefas simples e sensação constante de que o trabalho invade a vida pessoal são sinais que, quando persistentes, podem indicar sobrecarga psicológica relacionada ao ambiente de trabalho, e não apenas estresse pontual. Por que identificar isso cedo faz diferença? Quanto mais cedo esse tipo de sinal é reconhecido, maior a chance de a situação ser revertida sem afastamento ou adoecimento mais grave. Isso vale tanto para o trabalhador, que pode buscar apoio antes de um quadro mais sério se instalar, quanto para a empresa, que agora tem responsabilidade formal de identificar e agir sobre esses fatores dentro do ambiente de trabalho, não apenas esperar que o problema apareça como afastamento médico. Essa mudança de responsabilidade é relativamente recente. Até pouco tempo, a percepção de sobrecarga ficava quase inteiramente a cargo da própria pessoa, sem obrigação clara da empresa de monitorar isso de forma estruturada. A atualização da norma trouxe esse tema para dentro da gestão formal de saúde e segurança do trabalho, ao lado de riscos físicos e químicos que já eram tratados com esse mesmo rigor. O papel do exame ocupacional nesse processo Consultas e exames periódicos de saúde ocupacional, muitas vezes vistos pelo trabalhador como mera formalidade burocrática, ganham um papel mais relevante nesse novo cenário. É durante esse contato que sinais de sobrecarga costumam aparecer pela primeira vez de forma mais explícita, seja por relato direto do trabalhador, seja por padrão identificado ao longo de exames sucessivos. "Muita gente trata o exame periódico como um trâmite rápido, sem falar sobre o que realmente sente em relação ao trabalho. Esse espaço deveria ser usado com mais atenção, porque é ali que sinais de sobrecarga costumam aparecer antes de qualquer outro lugar", afirma Dr. Éverton da Costa Sagiorato. O que muda para quem sente esses sinais no dia a dia? Para o trabalhador que reconhece esses sinais em si mesmo, o caminho mais indicado é relatar isso durante o próprio acompanhamento de saúde ocupacional da empresa, em vez de tratar como algo que precisa ser resolvido sozinho ou escondido por receio de parecer fraco ou improdutivo. Empresas agora têm responsabilidade formal de considerar esse tipo de relato dentro da própria gestão de riscos, o que muda a dinâmica de quem antes hesitava em falar sobre isso no ambiente de trabalho. Reconhecer que cansaço constante, irritabilidade fora do padrão e dificuldade de desligar do trabalho não são apenas parte inevitável da rotina profissional é o primeiro passo para que tanto o trabalhador quanto a empresa consigam agir antes que a situação evolua para um quadro mais grave de adoecimento relacionado ao trabalho.

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