Pode-se chamar isso de peculiaridade do planejamento de casamento ou da disputa pelo Dia da Independência, mas o fim de semana promete ser o ápice de uma Guerra Fria cultural que já dura uma década entre duas das pessoas mais famosas do mundo: Taylor Swift e Donald Trump. Ao longo dos anos, os dois trocaram farpas e alfinetadas sobre tudo, desde apoios políticos e movimentos sociais até jogos de futebol e aparência pessoal, sendo o presidente geralmente o instigador dessas desavenças. K-Pop com pagode: Sunoo, da banda Enhypen, viraliza após cantar 'Arrependidaço' de Ferrugem ‘Confessions II’: Confira o faixa-a-faixa do novo álbum de Madonna Espera-se que Swift, de 36 anos, celebre seu casamento com Travis Kelce, astro do Kansas City Chiefs, em uma festa de vários dias no Madison Square Garden, embora os detalhes do evento sejam mantidos em segredo absoluto. Considerando a expectativa em torno do casamento de Swift e Kelce, a celebração promete ser como um casamento da realeza americana, com a expectativa de atrair celebridades do mundo todo — e possivelmente uma multidão de fãs e curiosos. Enquanto os preparativos estavam em andamento, os fãs já faziam peregrinações pelas ruas ao redor da arena. Na noite de quinta-feira, convidados chegaram ao Madison Square Garden para o que se esperava ser um jantar de ensaio para cerca de 100 pessoas no Teatro Infosys, e não na arena principal, segundo uma pessoa familiarizada com os planos relatou ao The New York Times. Enquanto isso, em Washington, Trump, de 80 anos, planeja uma celebração no National Mall no sábado para comemorar o 250º aniversário da nação, um evento que ele mesmo descreve nas redes (sempre em letras maiúsculas) como um " "COMÍCIO DE TRUMP" e que promete sobrevoos, bandas militares e o "MAIOR SHOW DE FOGOS DE ARTIFÍCIO DA HISTÓRIA", incluindo centenas de milhares de explosivos. Na quinta-feira, com o início do fim de semana do casamento de Swift e Kelce, a Casa Branca publicou um pôster falso da "Turnê Eras da América"— uma referência à turnê mundial de enorme sucesso de Swift — com uma série de imagens do presidente. Para mil convidados: Para os fãs de Taylor Swift, o casamento da cantora é 'como o de uma amiga querida' Considerados em conjunto, os dois eventos representam uma demonstração quase simultânea de força por parte de duas figuras gigantescas e constantes da cultura americana, ambos em locais mundialmente famosos, o Madison Square Garden e a Casa Branca, sem nada mais em jogo do que a atenção — e a potencial adoração — de uma nação que celebra seu 250º aniversário. O presidente e a estrela pop parecem ter se evitado na esfera pública há anos, inclusive no Super Bowl de 2025, evento ao qual ambos compareceram (embora não juntos). Mais tarde, o presidente brincou com a cantora ao cumprimentar o Philadelphia Eagles, time que derrotou o Chiefs de Kelce, na Casa Branca. Em agosto passado, o presidente publicou uma longa mensagem no Truth Social, sua rede sacail, dizendo que Swift é "woke" e acrescentando que a cantora "NÃO É MAIS GOSTOSA". Os dois quase se encontraram durante a recente campanha do New York Knicks rumo ao título. O presidente compareceu ao Jogo 3 no Madison Square Garden e o time perdeu, enquanto no Jogo 4, ao qual Swift compareceu, o time venceu (protagonizando a maior virada da história das finais da NBA). Carros de polícia do lado de fora do Madison Square Garden, reservado para o casamento de Taylor Swift e Travis Kelce ANGELA WEISS/AFP Em muitos aspectos, a dinâmica tem sido a de uma conversa conduzida pelo homem mais poderoso da nação com sua maior estrela pop; um presidente que teve que se pronunciar publicamente sobre artistas que desistiram de participar de seu evento, enquanto a lista de convidados de Swift certamente incluirá uma série de estrelas. De fato, sua frustração com Swift nunca foi tão evidente quanto em sua postagem de quatro palavras em setembro de 2024, logo após ela ter declarado apoio à sua adversária política, Kamala Harris: "EU ODEIO TAYLOR SWIFT!". Por sua vez, Swift não respondeu diretamente às declarações do presidente — incluindo os comentários que ele fez no ano passado sobre sua aparência e popularidade. E embora seja improvável que Swift tivesse a intenção de que seu casamento competisse com o do presidente, as comparações são inevitáveis, talvez até mesmo no Salão Oval. — Acho que ela fez isso para ofuscar Donald Trump? De jeito nenhum — disse Susan Del Percio, consultora política republicana e crítica ferrenha do presidente. —Acho que Donald Trump pensa que ela fez isso para ofuscá-lo? Com certeza. Porque é assim que ele pensa. Os representantes da cantora não se pronunciaram. A Casa Branca não respondeu aos pedidos de comentários. Apesar da aparente antipatia, existem semelhanças entre Trump e Swift: ambos são mestres em atrair atenção e nenhum dos dois se furtou a atacar aqueles que consideram tê-los prejudicado — Swift em canções sobre parceiros românticos decepcionantes, o presidente com oponentes políticos. Ambos são operadores de mídias sociais experientes, com bases de fãs fervorosas, cultivando e capitalizando sua própria marca de autenticidade para criar uma relação parasocial, por vezes intensa, entre si e dezenas de milhões de seguidores. Stephanie Burt, professora de inglês da Universidade de Harvard que lecionou sobre a compositora, disse que Trump e Swift também poderiam ser vistos como tendo um talento para criar frases memoráveis e proferi-las, chamando o presidente de "uma combinação de valentão de recreio e comediante de insultos talentoso". Swift também já demonstrou, por vezes, uma língua (e uma caneta) afiada quando se trata de ofensas percebidas, incluindo em sua música recente "Actually romantic", que muitos interpretaram como uma resposta à faixa "Sympathy is a knife", da estrela pop Charli XCX. Há rumores de que ex-namorados, como o ator Jake Gyllenhaal sejam mencionados em músicas como "All too well" e, como é de costume, alvo de críticas por parte de seu exército de fãs, os Swifties. Ao mesmo tempo, o último álbum de Swift também incluía uma música, “Wi$h çi$t”, que foi interpretada por alguns comentaristas de direita como uma defesa do casamento tradicional e da cultura das esposas tradicionais. Raízes do tradicionalismo americano O amplo apelo de Swift também se estende a conservadores como Jenna Piwowarczyk, uma estudante do último ano da Universidade Concordia em Mequon, Wisconsin, que ficou famosa na internet em 2024 depois de usar uma camiseta feita em casa com os dizeres “Swifties for Trump” durante um encontro com o então candidato. (O presidente posteriormente publicou uma foto de Piwowarczyk, juntamente com várias imagens geradas por inteligência artificial, sugerindo um falso apoio de Swift). Piwowarczyk, de 21 anos, disse que sentia que o casamento de Swift e as comemorações de Trump em Washington tinham alguns valores em comum. — Trata-se realmente de voltar às raízes do tradicionalismo americano — disse ela. —Este fim de semana não tem nada a ver com política. É mais sobre o conceito de direitos e liberdades inalienáveis que só Deus pode nos dar. Kevin Evers, autor de "There's nothing like this: The strategic genius of Taylor Swift" ("Não há nada assim: A genialidade estratégica de Taylor Swift", em tradução direta), afirmou que a cantora sempre foi "muito seletiva" quanto a quando e onde se envolver em política: —Acho que se manifestar publicamente representa um certo risco para ela. E acho que ela é inteligente o suficiente para não entrar em uma discussão acalorada com o presidente Trump.
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