Como Benedito Ruy Barbosa transformou a beleza natural em marca de suas novelas
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Extra OnlineComo Benedito Ruy Barbosa transformou a beleza natural em marca de suas novelasglobo.comA morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, reacendeu a memória de uma obra que ajudou a definir a televisão brasileira. Conhecido por transformar o interior do país em protagonista de suas histórias, o autor também deixou uma marca no imaginário visual do público. Suas novelas apresentavam mulheres distantes do padrão tradicional de glamour da TV, com cabelos naturais, pouca maquiagem e uma relação profunda com os lugares onde viviam. Décadas depois, esse olhar ainda influencia a forma como a beleza ligada à natureza e à simplicidade é representada. Juma, Luana e Giuliana: as protagonistas que marcaram a obra de Benedito Ruy Barbosa Confira: Fãs lamentam morte de Benedito Ruy Barbosa, criador de novelas que marcaram gerações Entre todas as criações de Benedito, "Pantanal" se tornou o maior símbolo dessa identidade. Exibida originalmente em 1990, a novela apresentou ao público uma paisagem pouco explorada no horário nobre e colocou a natureza como parte fundamental da narrativa. O ambiente pantaneiro não funcionava apenas como cenário, mas ajudava a construir a personalidade dos personagens, seus modos de vida e também suas escolhas visuais. Foi nesse universo que surgiu Juma Marruá, interpretada por Cristiana Oliveira, uma das figuras femininas mais marcantes da dramaturgia brasileira. Diferente das protagonistas tradicionais da época, a personagem não era definida pela sofisticação urbana ou por padrões convencionais de feminilidade. Sua força estava justamente na conexão com a terra, na independência e na maneira própria de existir dentro daquele território. Os cabelos longos, a pele bronzeada, a maquiagem discreta e os figurinos com referências ao universo rural ajudaram a criar uma imagem que permaneceu na memória do público. Juma representava uma beleza mais natural e ligada ao ambiente em que estava inserida, uma característica que se tornou parte da identidade visual da novela. Cristiana Oliveira era Juma Marruá em 'Pantanal' Divulgação IMDB A força desse imaginário voltou a ser percebida décadas depois, com a nova versão de "Pantanal", exibida em 2022. A adaptação trouxe novamente para o centro das conversas elementos associados ao universo da trama, como botas de inspiração western, peças de couro, franjas, chapéus e uma paleta de tons terrosos. O estilo pantaneiro passou a aparecer com mais frequência em referências de moda e comportamento. O olhar de Benedito para suas personagens femininas também estava presente em outras obras. Em "Renascer", Maria Santa carregava uma representação ligada à tradição e à espiritualidade. Patrícia França em 'Renascer' Divulgação Globo Em "O Rei do Gado", Luana Berdinazzi, vivida por Patrícia Pillar, transitava entre conflitos de classe, família e pertencimento. Patrícia Pillar em 'O Rei do Gado' Globo/ Divulgação Já em "Terra Nostra", Giuliana, interpretada por Ana Paula Arósio, conduzia a história de uma imigrante italiana em busca de uma nova vida no Brasil. Ana Paula Arósio em 'Terra Nostra' Divulgação Globo Mais do que criar protagonistas de sucesso, Benedito construiu mulheres com identidades próprias, marcadas por suas origens e por suas histórias. Eram personagens que não dependiam apenas de romance ou aparência para movimentar a trama, mas carregavam desejos, conflitos e escolhas. Ao longo da carreira, o autor ajudou a ampliar a representação feminina na televisão brasileira ao colocar no centro do horário nobre figuras que fugiam de modelos previsíveis. Entre paisagens, figurinos e histórias de vida, Benedito mostrou que também havia força e beleza longe dos grandes centros e transformou a natureza em uma das grandes protagonistas de sua obra.
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