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China testa míssil balístico no Pacífico pela primeira vez em quase dois anos e amplia preocupações sobre expansão militar

3h ago

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Extra OnlineChina testa míssil balístico no Pacífico pela primeira vez em quase dois anos e amplia preocupações sobre expansão militarglobo.com
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A China realizou nesta segunda-feira um teste de um míssil balístico de longo alcance com uma ogiva simulada no Oceano Pacífico, o primeiro lançamento desse tipo em quase dois anos. O disparo, feito a partir de um submarino de propulsão nuclear, provocou reações de países da região, que classificaram a iniciativa como desestabilizadora em meio à rápida expansão militar de Pequim. Entenda: Kim Jong-Un promete estreitar laços com a China em mensagem a Xi Jinping Em maio: Às vésperas da cúpula entre Xi Jinping e Trump, China se opõe à venda de armas dos EUA a Taiwan Segundo a agência estatal Xinhua, o míssil foi lançado às 12h01 no horário de Pequim e transportava uma “ogiva simulada”. A agência afirmou que o projétil atingiu com precisão a área designada e ressaltou que o teste “não foi direcionado contra qualquer país ou alvo específico”. O governo chinês não informou de onde o míssil foi disparado nem o local onde caiu. Governos da região foram avisados pouco antes. A demonstração ocorre em um momento de crescente preocupação com o equilíbrio estratégico no Pacífico e com o grau de comprometimento dos Estados Unidos com a segurança regional. Também coincidiu com o anúncio, pelos líderes da Austrália e de Fiji, de um tratado de defesa mútua e de uma aliança regional de segurança. O acordo é o mais recente de uma série de iniciativas firmadas por Camberra com países insulares do Pacífico, amplamente interpretadas como uma tentativa de conter o avanço da influência chinesa na região. Histórico de lançamentos Em setembro de 2024, a China já havia realizado um lançamento semelhante ao disparar um míssil balístico intercontinental com capacidade nuclear e ogiva simulada sobre o Oceano Pacífico, em direção a águas próximas da Polinésia Francesa. Na época, o teste foi condenado por diversos países da região e marcou o primeiro lançamento conhecido de um ICBM chinês no Pacífico em quatro décadas. Análise: Com expurgos nas Forças Armadas da China, Xi Jinping busca por lealdade absoluta O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou que o país está “profundamente preocupado” e disse que o lançamento desta segunda-feira parece integrar “um padrão recorrente por parte da China”, acrescentando: — A Nova Zelândia considera este um desenvolvimento indesejado e preocupante. Assim como nossos vizinhos de outros países do Pacífico, não temos interesse em que a China utilize o Pacífico Sul como área de testes para sua capacidade de mísseis — declarou. A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, disse que o lançamento é “desestabilizador para a região” e ocorre “num contexto de rápida expansão militar da China”. Já o governo japonês informou que manifestou à China sua “séria preocupação com a intensificação das atividades militares chinesas”. Segundo Tóquio, o país chegou a pedir que Pequim reconsiderasse o lançamento após receber o aviso prévio. Entre expulsões e sumiços de generais: Expurgos de Xi Jinping deixam vácuo no alto comando das Forças Armadas chinesas No ano passado, uma força-tarefa naval chinesa também realizou exercícios com fogo real no Mar da Tasmânia, entre Austrália e Nova Zelândia, obrigando dezenas de voos comerciais a alterar suas rotas para evitar a área. ‘Sondar e testar’ Para John Blaxland, professor de segurança internacional da Universidade Nacional da Austrália e ex-oficial de inteligência militar australiano, Pequim busca avaliar não apenas o desempenho de seus equipamentos, mas também a reação dos países da região e dos Estados Unidos. — O que a China está fazendo, assim como faz em relação a Taiwan, é sondar, testar e gradualmente acostumar os demais a um comportamento intrusivo, assertivo e autoritário — afirmou. Pentágono: China está investindo na expansão de seu arsenal nuclear e pode chegar a mil ogivas até 2030 O governo chinês não informou qual modelo de míssil foi utilizado. Jeffrey Lewis, pesquisador do Middlebury College especializado na modernização do arsenal nuclear chinês, acredita que o teste tenha envolvido o JL-3, nova geração de míssil balístico intercontinental desenvolvida para transportar ogivas nucleares e ser lançada de submarinos. O JL-3 foi exibido pela China durante um desfile militar realizado em Pequim no ano passado. Segundo um relatório do Pentágono publicado em 2023, o armamento está sendo incorporado à nova geração de submarinos chineses, ampliando sua capacidade de atingir o território continental dos Estados Unidos a partir da costa da China. Lewis avalia que a região deve se preparar para novos testes. — Isso sugere uma nova era de testes, na qual cada sistema terá seu momento de destaque — disse, referindo-se ao crescente arsenal chinês de mísseis com capacidade nuclear. Nova abordagem Na avaliação do pesquisador, a China historicamente realizou menos testes de mísseis balísticos intercontinentais do que outras potências nucleares por razões políticas. — Acho que isso era uma questão política, mas agora essa política mudou. Eles estão adotando uma abordagem de testar mais e parecem dispostos a arcar com os custos políticos dessa decisão de uma forma que não estavam no passado — afirmou. Corsários modernos: Como a China emprega milícias marítimas para estabelecer controle em águas disputadas; veja vídeo Os mísseis lançados por submarinos sempre foram considerados um dos pontos mais frágeis da estratégia de dissuasão nuclear chinesa. Os submarinos de propulsão nuclear do país são mais ruidosos do que os de outras potências, especialmente os americanos, o que facilita sua detecção e eventual destruição. Nos últimos anos, porém, o Exército de Libertação Popular tem buscado reduzir essa desvantagem com o desenvolvimento de submarinos mais furtivos e de novos modelos de mísseis. Segundo uma análise da Federação de Cientistas Americanos, o teste realizado em 2024 provavelmente utilizou um míssil DF-31 lançado de uma plataforma móvel na província insular de Hainan.

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