Brasileiros sancionados pelos EUA usaram o Zelle, 'Pix americano', para lavar dinheiro do tráfico, aponta Justiça
11h agopt
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A decisão da Justiça Federal que embasou a Operação Exchange revela que brasileiros investigados sancionados na semana passada pelo governo dos Estados Unidos por suposto elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizavam o Zelle, plataforma de transferências eletrônicas apelidada de 'Pix americano', em operações financeiras atribuídas ao grupo suspeito de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Repasse escalonado: Senado aprova medida provisória que destina parte de arrecadação com bets à Polícia Federal Morte em salto de rope jump: Ministério Público de SP denuncia quatro pessoas O documento, que sustentou a ação deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (3), reproduz trechos das investigações segundo os quais mensagens extraídas de celulares dos investigados fazem referência ao banco Wells Fargo e ao envio de dados de uma conta pelo Zelle durante tratativas relacionadas à movimentação internacional de recursos. Em outro trecho, a decisão afirma que conversas atribuídas ao investigado Ygor Fokin Saviolli indicam a utilização do Zelle em transferências internacionais destinadas ao pagamento de entorpecentes. Conforme o documento, foi identificado um comprovante de depósito de US$ 10.002 realizado por meio do sistema para uma conta do Bank of America, nos Estados Unidos. Segundo a decisão, a investigação começou após uma comunicação formal da Homeland Security Investigations (HSI), órgão do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, que informou à Polícia Federal brasileira a existência de uma investigação envolvendo cidadãos brasileiros suspeitos de integrar uma estrutura criminosa especializada na lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas, com atuação nos dois países. O documento relata que a apreensão do telefone celular de Ygor Fokin Saviolli, durante fiscalização no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, em outubro de 2023, permitiu às autoridades norte-americanas localizar mensagens, imagens, comprovantes bancários e registros considerados indicativos de movimentação de dinheiro em espécie, negociação de drogas, investimentos em criptoativos e remessas internacionais de valores. PF identificou líderes do grupo A partir da análise desse material, a Polícia Federal identificou Victor Henrique de Oliveira Shimada e Ygor Fokin Saviolli como apontados líderes do grupo. Conforme a decisão, as investigações indicam que ambos utilizavam empresas para circular, ocultar e dissimular recursos de origem ilícita, supostamente provenientes do tráfico internacional de drogas. As conversas analisadas também descrevem uma estrutura financeira que envolveria recolhimento de dinheiro em espécie, transferências bancárias, utilização de criptoativos e operações internacionais. Em um dos diálogos reproduzidos pela decisão, há referência a movimentações distribuídas por cidades americanas como Houston, Chicago, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles. A decisão ainda aponta que a análise dos dados telemáticos revelou negociações envolvendo haxixe, utilização de linguagem cifrada, remessas internacionais de recursos e mecanismos de compensação financeira, além da utilização de empresas investigadas para movimentação de valores considerados suspeitos. Com base nesses elementos, o juiz autorizou prisões temporárias, mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens, valores e criptoativos, além do afastamento do sigilo de dados telemáticos dos investigados. Segundo a Polícia Federal, o grupo teria movimentado mais de R$ 10 bilhões. Operação Exchange A Operação Exchange foi deflagrada na última sexta-feira (3), com o cumprimento de mandados expedidos pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Entre os alvos estavam Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que haviam sido sancionados pelo governo dos Estados Unidos dois dias antes por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Stella foi presa durante a operação, enquanto Shimada é considerado foragido. As investigações da PF tramitavam antes da adoção das sanções pelos Estados Unidos e tiveram origem na cooperação entre autoridades dos dois países. Além das medidas cautelares, a Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante de aproximadamente R$ 10,4 bilhões.
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