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Autor de clássicos do ‘X-Men’, John Byrne retorna para reescrever a história da Fênix: 'Fizemos com que ela explodisse um planeta inteiro'

2h ago

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Extra OnlineAutor de clássicos do ‘X-Men’, John Byrne retorna para reescrever a história da Fênix: 'Fizemos com que ela explodisse um planeta inteiro'globo.com
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Há meio século, o quadrinista John Byrne, ao lado de colaboradores fundamentais como Chris Claremont e Terry Austin, transformou a "Uncanny X-Men" — uma revista em quadrinhos da Marvel de vendas modestas, criada por Stan Lee e Jack Kirby no início dos anos 1960 — em um fenômeno avassalador. A HQ, que narra a trajetória de uma equipe de humanos nascidos com poderes extraordinários, ajudou a acender o estopim que levou à explosão da cultura pop que a Marvel representa hoje. No entanto, em 1981, após a controversa decisão de matar Jean Grey, uma das integrantes originais dos X-Men, Byrne seguiu carreira, deixando sua marca em dezenas de outros títulos, incluindo "Quarteto Fantástico", "Hulk", "Capitão América" e "Superman". Agora, aos 76 anos, Byrne ressurge com o que ele chama de seu "canto do cisne": "X-Men: Elsewhen". Trata-se de uma edição de capa dura ambientada em uma realidade alternativa, que revisita os X-Men exatamente no ponto em que ele havia deixado a série. Desta vez sem seus antigos colaboradores, mas com uma grande reviravolta na trama: a Fênix não morreu. O quadrinista John Byrne, em 2017 Luigi Novi / Wikimedia A história foi publicada originalmente no fórum online de Byrne, a partir de 2018. Agora, o primeiro de três volumes oficiais, publicado pela Abrams ComicArts na semana passada, teve sua tiragem inicial esgotada imediatamente e colocou Byrne, ainda que a contragosto, novamente sob os holofotes. Em uma conversa recente, ele falou sobre revisitar personagens familiares, o embate entre o bem e o mal e como gostaria de ser lembrado. Você tem fama de ser alguém que fala o que pensa. Byrne: Eu falo sem rodeios, é verdade. O que há nos X-Men que conquistou a imaginação de tanta gente? Byrne: Roger Stern, que foi roteirista e editor na Marvel, costumava dizer que o apelo dos X-Men estava no fato de eles serem muito parecidos com os próprios fãs. Eram deslocados que só conviviam com seus iguais. Por isso, os fãs se reconheciam nos X-Men mais do que, digamos, no Quarteto Fantástico ou na Liga da Justiça. Houve uma mudança cultural significativa na forma como compreendemos e aceitamos pessoas diferentes. Os X-Men foram criados numa época mais conservadora, em que a diferença ainda era vista como algo assustador ou problemático. Byrne: Stan dizia que os X-Men eram sua metáfora para o racismo — que Xavier representava Martin Luther King e Magneto, Malcolm X. Mas eu digo: não. Na verdade, basta olhar para as primeiras edições: Xavier é a Alemanha Ocidental e Magneto é Hitler. Quer dizer, ele até usa elementos visuais nazistas. Mas convenceram o Stan de que ele estava fazendo outra coisa, e ele disse: "Claro, por que não?" Para os leitores que talvez não estejam muito familiarizados com a longa história dos X-Men, você poderia falar brevemente sobre a polêmica em torno da personagem Fênix (Jean Grey)? Byrne: Um super-herói criado por Stan e Jack nunca havia se transformado em vilão. E nós fizemos isso. Fizemos com que ela explodisse um planeta inteiro e destruísse toda uma raça alienígena. Jim Shooter (editor-chefe na época) sabia que isso ia acontecer. Mas, por algum motivo, disse: "Ela precisa ser punida". Disse que a Fênix deveria ser levada para um "asteroide-prisão" e horrivelmente torturada por toda a eternidade. Eu disse: "Prefiro que ela morra". Então, foi isso que acabamos fazendo. Mais tarde, depois que você parou de trabalhar nas revistas dos X-Men, a Jean voltou. No fim, algo é de fato permanente nos quadrinhos convencionais? Byrne: Quando Mark Gruenwald, meu amigo e editor, morreu inesperadamente, mencionei o fato no meu site e a primeira reação foi: "Ah, que terrível. Espero que ele se recupere". Pensei: "Meu Deus, nós treinamos os fãs para esperar que nenhuma morte seja realmente permanente, nem mesmo no mundo real!" Em algum momento você pensou em entrar em contato com Chris Claremont e Terry Austin para reunir a velha equipe novamente? Byrne: Não. Era um projeto muito pessoal, feito estritamente para a minha própria diversão. E então fiquei frustrado pelo fato de ninguém estar lendo. Por isso, decidi publicar no meu site em capítulos diários. Mas nunca imaginei que isso se transformaria em um livro publicado de verdade. Qual personagem é o mais divertido de escrever? Byrne: O Ciclope sempre foi meu X-Men favorito, desde que comecei a ler a revista. O Wolverine, é claro. Costumo dizer que a culpa de o Wolverine ainda existir é minha. Quando entrei na equipe, o Chris me disse que pretendia tirá-lo da história. Eu era canadense e respondi "de jeito nenhum você vai se livrar do único canadense!" Quando falam sobre os gigantes da época em que você surgiu, você e Frank Miller são frequentemente colocados no mesmo patamar. O que acha da abordagem dele em relação ao Wolverine? Byrne: Isso vai me trazer problemas, mas eu não gostava muito do Wolverine de Frank. Em termos de criar um personagem extremamente popular, ele fez a coisa certa. Minha reação imediata foi: arte linda, mas não reconheço esse cara. Em uma página de "Elsewhen", você retrata o Wolverine atacando o Magneto de forma brutal. Os fundos são de um vermelho vivo, os olhos dele são vermelhos brilhantes, ele está tomado por uma fúria assassina. Esse é um novo tipo de ferocidade para o personagem? Byrne: Bem, era sempre isso que tínhamos em mente. Existe uma cena que eu jamais, em um milhão de anos, faria. É o Wolverine sentado à mesa do café da manhã; a Kitty Pryde (a mais jovem dos X-Men) entra e diz "Oi", mas com o tom de voz totalmente errado. E ele a estripa sem pensar duas vezes e depois continua comendo seus cereais. Porque ele é, literalmente, um maníaco homicida. Artistas precisam lidar com suas próprias limitações ao longo da carreira. Quais foram as suas? Byrne: Minha abordagem sempre foi: acertar na próxima vez. E, no caso deste livro, não acho que haverá uma próxima vez. Eu meio que perdi o fôlego e parei. Para o terceiro volume, vou incluir uma página de texto dizendo: "As histórias estavam indo nessa direção". Você ficou sem fôlego, mas não sem ideias? Byrne: Não fiquei sem ideias, simplesmente não tinha mais vontade de continuar. E você sentiu que era o fim? Byrne: Praticamente. Hoje quase parece que vivemos em um mundo de histórias em quadrinhos. Byrne: Dá a sensação de que o mal venceu. Olho para Washington e penso: "Meu Deus, esse é o cara em quem baseei parcialmente meu Lex Luthor, lá na época em que ele era apenas uma figura barulhenta do mundo dos negócios em Nova York". O que te faz levantar da cama de manhã? Byrne: Cada vez menos coisas. Encontro alegria nos meus amigos, nos meus animais de estimação e na minha casa, que é basicamente um grande museu de todas as minhas coisas legais. Parece que você leva uma vida bastante solitária. Byrne: Não de propósito, mas foi assim que as coisas aconteceram. Não tenho irmãos, meus pais já faleceram... Tenho talvez uma dúzia de pessoas que considero meus amigos mais queridos — elas são importantes para mim e esse é o meu círculo social. O que você considera ser o seu legado? Byrne: Quando olho para o meu trabalho, só vejo as influências. Neal Adams, Joe Kubert, Bernie Wrightson, Jack Kirby, Gil Kane. Quando alguém diz que é fã de John Byrne, eu penso: "O que será que ele viu?" Gosto de pensar que, quando as pessoas veem o meu trabalho, ele parece verossímil. Seja com dois caras sentados num bar ou com dois planetas colidindo, gosto de acreditar que as pessoas vão acreditar naquilo que estão vendo. Apenas verossimilhança. Essa é a palavra.

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