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Aulas de forró e trabalho em agência de turismo: quem é o espião russo expulso pelo governo

3h agopt

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Extra OnlineAulas de forró e trabalho em agência de turismo: quem é o espião russo expulso pelo governoglobo.com
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Apontado com um agente de inteligência militar da Rússia pela Polícia Federal e o Federal Bureau of Investigation (FBI), Sergey Vladimirovich Cherkasov viveu no Brasil usando uma identidade falsa como um brasileiro chamado Victor Müller Ferreira. A trajetória construída foi cuidadosamente planejada para dar credibilidade ao personagem: ele trabalhou em uma agência de turismo e câmbio no Rio de Janeiro, aprendeu português fluentemente e chegou a fazer aulas de forró para reforçar sua identidade falsa como brasileiro, como mostrou reportagem do Fantástico no ano passado. Após ser preso em 2022, ele foi expulso pelo governo após cumprir sua pena no país. Sergey também estudou na Irlanda e nos Estados Unidos e chegou a ser selecionado para um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, onde teria acesso a informações sobre investigações de crimes de guerra. A verdadeira identidade do russo veio à tona em 2022. Ao desembarcar em Amsterdã para iniciar o estágio no TPI, Cherkasov foi barrado pelas autoridades holandesas, que desconfiaram de sua documentação. De volta ao Brasil, ele foi preso no Aeroporto de Guarulhos por uso de documentos falsos. A Polícia Federal concluiu que Victor Müller Ferreira nunca existiu e que a identidade havia sido criada pelo serviço de inteligência russo para permitir que o agente se infiltrasse em instituições internacionais. Segundo as investigações, Cherkasov entrou no Brasil em 2010. De acordo com o currículo apresentado por ele, nasceu no Rio de Janeiro, viveu parte da infância e da juventude na Argentina com uma tia-avó e retornou ao Brasil aos 21 anos. Já no Rio, trabalhou em uma agência de turismo e câmbio antes de seguir para a Irlanda, onde cursou graduação no Trinity College Dublin. Posteriormente, foi aceito em uma pós-graduação na Universidade Johns Hopkins, em Washington, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos. A formação acadêmica abriu caminho para um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia. Para a Polícia Federal e autoridades de países parceiros, esse era o principal objetivo da operação: posicionar o agente em uma instituição estratégica para coletar informações sensíveis de interesse da Rússia, especialmente em um momento em que o tribunal conduz investigações sobre crimes de guerra relacionados ao conflito na Ucrânia. As investigações da PF também apontaram que Cherkasov contava com uma rede de apoio financeiro no Brasil. A polícia identificou depósitos mensais em espécie em sua conta bancária, movimentações expressivas com criptomoedas, aquisição de um imóvel e contato frequente com funcionários ligados à representação diplomática russa. Os investigadores ainda encontraram documentos em que o russo relatava ter presenteado uma funcionária de cartório com um colar para facilitar procedimentos relacionados à documentação falsa utilizada por ele. Em mensagens apreendidas pela PF, interlocutores mencionavam pedidos do consulado russo para que mantivessem contato com Cherkasov e realizassem transferências de recursos durante o período em que ele estudava no exterior. Após ser condenado por uso de documento falso, a Rússia pediu sua extradição ao Brasil. Moscou sustentou que ele não era um espião, mas um traficante de heroína procurado por integrar uma organização criminosa. A versão, porém, despertou desconfiança das autoridades brasileiras porque a acusação só foi formalizada depois de sua prisão e se referia a um período em que, segundo registros, ele vivia no Rio de Janeiro. Cherkasov foi inicialmente condenado a 15 anos de prisão pelo uso de documentos falsos, pena posteriormente reduzida para cinco anos, dois meses e quinze dias pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Dentre informações da sua ficha do período que está na Penitenciária Federal de Brasília, consta que ele já retirou livros da biblioteca da unidade como toda a coleção de Harry Potter, obras da série The Witcher, Admirável Mundo Novo e livros sobre serviços de inteligência. Em dezembro de 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin rejeitou a entrega "antecipada" do espião ao seu país de origem, argumentando que ele ainda responde a inquéritos no Brasil por "possíveis atos de espionagem, lavagem de capitais e corrupção passiva". A Polícia Federal também defende a permanência. Na época, Fachin afirmou que não caberia ao Supremo decidir sobre a "liberação antecipada" do russo e que isso seria de competência do presidente da República. "Observo, nessa perspectiva, a diretriz assentada desta Suprema Corte segundo a qual é prerrogativa exclusiva do Presidente da República a competência para liberação antecipada do extraditando", escreveu o atual presidente do STF. Mais recentemente, a defesa do russo voltou a pedir ao STF a execução da extradição. Na ocasião, informaram à Corte que no último dia 8 de junho, representantes da Embaixada Russa tiveram uma reunião com a área do Ministério da Justiça responsável pelo processo de extradição. Segundo a defesa, o governo brasileiro teria dito que Sergey teria que cumprir a pena integralmente no Brasil. Fachin, que anteriormente era o relator e hoje é o presidente da Corte, decidiu redistribuir o processo de extradição, que passou para as mãos do ministro Luiz Fux na última terça-feira.

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