Após ameaças de morte, ex-técnico da Coreia quebra silêncio: ‘Tive que proteger minha família’
4h agopt
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Duas semanas após a eliminação da Coreia do Sul na fase de grupos da Copa do Mundo, Hong Myung-bo quebrou o silêncio. O ex-técnico da seleção pediu desculpas pelo desempenho, assumiu toda a responsabilidade pelo resultado e revelou que deixou o país após receber ameaças direcionadas a ele e à família. Hong renunciou ao cargo no dia 28 de junho, um dia depois da confirmação da queda sul-coreana no Mundial. A equipe terminou a primeira fase com apenas uma vitória em três partidas e se despediu após uma surpreendente derrota para a África do Sul. O resultado provocou forte reação no país. Torcedores e integrantes do governo passaram a cobrar mudanças profundas na seleção, enquanto o treinador se tornou o principal alvo das críticas. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, Hong pediu desculpas aos torcedores e reconheceu que não conseguiu alcançar os objetivos estabelecidos para a competição. — Peço sinceras desculpas a todos os cidadãos que amaram e apoiaram o futebol coreano. Falhei em alcançar os resultados que a nação esperava na Copa do Mundo — afirmou. O treinador também assumiu a responsabilidade pela eliminação. — Como técnico, aceito essa responsabilidade com muita seriedade e peço profundas desculpas mais uma vez — acrescentou. Hong explicou que permaneceu em silêncio nas duas semanas seguintes à despedida da Copa por considerar que deveria assumir sozinho o peso do resultado. — Acreditava que os resultados da seleção eram um fardo que eu, como treinador, precisava carregar. Por isso, não pude compartilhar minha posição com o público até agora — disse. Segundo o ex-técnico, a ausência de manifestações públicas abriu espaço para a divulgação de informações falsas e rumores sobre os bastidores da seleção. — Informações falsas começaram a ser divulgadas como se fossem fatos, e boatos não verificados foram adicionados à discussão — afirmou. A pressão aumentou depois que Hong foi visto deixando a Coreia do Sul em direção aos Estados Unidos. A viagem provocou críticas e foi interpretada por parte da opinião pública como uma tentativa de evitar as consequências da eliminação. O treinador negou a acusação. Segundo ele, a decisão foi motivada por ameaças de morte e pela necessidade de proteger os familiares. — Não foi uma decisão de fugir das consequências. Havia ameaças direcionadas a mim e à minha família, além de preocupações com a nossa segurança pessoal. Como chefe da família, eu precisava protegê-los — explicou. A eliminação encerrou uma passagem marcada por forte pressão desde antes da Copa. Hong chegou ao Mundial questionado por parte da torcida e não conseguiu reduzir as críticas durante a competição. A derrota para a África do Sul, na última rodada, aumentou a indignação. A Coreia do Sul precisava de um resultado positivo para manter as chances de classificação, mas acabou eliminada ainda na primeira fase. A renúncia do treinador, anunciada no dia seguinte, não encerrou as cobranças. Parte da opinião pública passou a exigir mudanças também na estrutura da federação e explicações sobre o planejamento para o Mundial. A crise chegou ao cenário político. A possibilidade de uma audiência no Parlamento para discutir o desempenho da seleção e as decisões tomadas durante o ciclo passou a ser considerada no país. Hong afirmou que está disposto a comparecer caso seja convocado e considera o Parlamento o local adequado para apresentar sua versão sobre a campanha. — Se uma audiência parlamentar for realizada, acredito que essa seja a plataforma apropriada para explicar os resultados da Copa do Mundo. Assumirei total responsabilidade e apresentarei os fatos exatamente como os conheço — declarou.
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