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Oitavas da Copa do Mundo têm jogos e horários definidos

Análise: A derrota do Brasil para a Noruega escancara os limites de um projeto construído às pressas

3h ago

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Extra OnlineAnálise: A derrota do Brasil para a Noruega escancara os limites de um projeto construído às pressasglobo.com
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Carlo Ancelotti chegou, a um ano da Copa, como tábua de salvação da CBF. Após aquele que talvez tenha sido o pior ciclo preparatório, o italiano era a última aposta para evitar que a Amarelinha vivesse um fiasco. Não conseguiu. Um cometa demoliu o que, no fundo, era um castelo de areia. Os dois gols de Haaland nos 2 a 1 da Noruega implodiram a ilusão da entidade de que iria camuflar seus erros. Esfregou a realidade na cara do Brasil, que se despede do Mundial. Melhores momentos de Brasil x Noruega Em 1990, na Itália, o Brasil também caiu nas oitavas. Mas, naquela ocasião, era o primeiro jogo de mata-mata após os grupos. Ou seja: a deste domingo foi a pior eliminação em 36 anos. A cara do que foi este ciclo. O italiano de fato entregou, além de um ganho anímico, uma ideia de time. Mas construída às pressas, o que se refletiu até na convocação. O Brasil foi à Copa com uma aposta num centroavante pouco conhecido, com problemas nas laterais e só um meia articulador. As lesões de Wesley e de Lucas Paquetá escancararam como o plantel foi mal montado. Ainda assim, Ancelotti levou à frente um esboço de time que ora jogava com dois meio-campistas e ora com três. A má atuação na estreia, contra Marrocos, foi um alerta de que o projeto de time ainda tinha buracos sensíveis. Mas a evolução contra os frágeis Haiti e Escócia e o apenas organizado Japão deu a impressão de que eles haviam sido tapados. Até que Haaland apareceu no caminho. O centroavante que conquistou os brasileiros por seu carisma mostrou que, em campo, não está para amizades. O Brasil até o marcou bem no primeiro tempo. Mas, no segundo, ele não perdoou os vacilos. A primeira estocada veio aos 34, de cabeça, levando a melhor no duelo individual com Gabriel Magalhães. A segunda, e pá de cal, aos 44, tirando de Alisson e acertando o canto com todo o espaço do mundo na entrada da área. O gol de Neymar, de pênalti (sofrido por Casemiro), já nos acréscimos, nem deu esperança. E sua imagem provocando os noruegueses, mesmo estando à beira da eliminação, não repercutiu bem perante parte da torcida brasileira. Um fim de era melancólico para o camisa 10. Neymar ter estado em campo na eliminação foi simbólico. Serviu para escancarar a carência de lideranças. O atacante já não conseguia mais assumir esta reponsabilidade depois de um ciclo inteiro lutando contra lesões. Vini Jr, que começou muito bem a Copa, também não exercer este papel na partida deste domingo. Agora terá todo um ciclo completo com Ancelotti para mudar esta história. Quem não deve mais ter esta oportunidade é Casemiro. Aos 34 e na terceira Copa, se despede marcado pela torcida como símbolo de uma geração que acumulou decepções no torneio. O futuro da seleção passa para aqueles que, neste ciclo, ainda eram muito jovens para evitar o fracasso anunciado: Estêvão (fora do Mundial por lesão) e a dupla Endrick e Rayan. Os dois, por sinal, também decepcionaram contra a Noruega. Endrick concluiu mal uma chance clara diante do goleiro Nyland e desperdiçou a chance de corresponder a toda a badalação criada em torno de seu nome antes e durante a Copa. Já Rayan, que vinha bem no torneio, pagou pela escolha errada de Ancelotti. Ao optar por Martinelli no lugar de Paquetá, o técnico prejudicou uma série de jogadores. Primeiro, Bruno Guimarães, que cansou de dizer publicamente preferir jogar num meio com três homens. Nete domingo, com apenas ele e Casemiro no setor, despencou de rendimento e deixou de ser a peça central que vinha fazendo o time funcionar. O pênalti perdido foi só a cereja do bolo de sua tarde ruim. A cobrança, aliás, jogou luz para a escolha por ele, já que nunca havia estado na marca da cal com a Amarelinha. — Fizemos um levantamento, dentro de um ano, dos jogadores rivais e dos nossos. O melhor da seleção era o Neymar, depois o Igor Thiago, depois Raphinha, e depois o Bruno Guimarães — justificou Ancelotti. Com Bruno mal, Rayan também sentiu. E, sem Paquetá, Vini não teve o arco que tão bem o conhece. Na verdade, não teve nenhum. Curiosamente, Martinelli teve uma ótima atuação individual. Mas, coletivamente, não houve ganho que justificasse esta escolha. Ancelotti apostou num esquema que valorizou a velocidade e a movimentação na frente. Se desse certo, teria compensado a posse de bola de apenas 34% (que envergonhou a torcida). Só que faltou um homem-gol, justamente aquilo que a Noruega tem de sobra em Haaland. Bem marcado no primeiro tempo, achou espaços no segundo com a entrada de Andreas Schjelderup, que ganhou praticamente todas pelo corredor direito do Brasil e serviu o centroavante nos dois gols. No fim, Haaland ainda regeu a "remada viking", comemoração com a torcida que virou sensação nesta Copa. Durante o jogo, os brasileiros tentaram revidar na arquibancada com o antigo "créu", que visualmente lembra a brincadeira dos escandinavos. Uma resposta criativa, pensada às pressas, que não deu certo. Um resumo do fim do ciclo da seleção com Ancelotti. Se não for atrapalhado pelo eterno caos político da CBF, agora é que seu trabalho irá começar. — Vamos administrar esta derrota com o impulso e na avaliação dos jogadores. Amanhã começaremos a pensar no que pode ser o futuro desta seleção, que já tem um grupo de jovens, de outros mais veteranos que podem continuar e de novos jogadores que podem entrar — prometeu.

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