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Alvos de sanção dos EUA, empresas sem funcionários de SP movimentaram R$ 10 bilhões em 4 anos, diz Coaf

1d agopt

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Extra OnlineAlvos de sanção dos EUA, empresas sem funcionários de SP movimentaram R$ 10 bilhões em 4 anos, diz Coafglobo.com
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No centro das investigações que envolvem uma quadrilha de traficantes e doleiros sancionados pelos Estados Unidos, estão duas empresas: uma de comércio de eletrônicos e outra de consultoria de tecnologia da informação (TI) que movimentaram cerca de R$ 10 bilhões em quatro anos. Segundo a PF, as duas companhias foram utilizadas para a “circulação, ocultação e dissimulação” de recursos do tráfico internacional de drogas, o que as levou a entrar na mira dos EUA por suposta ligação com o crime organizado. As informações constam de um relatório de inteligência financeira produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de combate à lavagem de dinheiro vinculado ao Banco Central, citado na decisão judicial que autorizou a Operação Exchange, deflagrada na última sexta-feira. Segundo a PF, as empresas não têm funcionários registrados no sistema do governo brasileiro e possuem “movimentações financeiras absolutamente incompatíveis”. A Hi Quality (comércio de eletrônicos), por exemplo, movimentou R$ 5,4 bilhões, enquanto a Victory Trading (consultoria de TI) transacionou R$ 4,6 bilhões entre janeiro de 2021 e agosto de 2024. Procuradas, as empresas ainda não se manifestaram. Os investigadores chegaram à empresa de eletrônicos ao interceptar uma conversa em que um alvo suspeito de ser “coordenador logístico e financeiro” pedia ajuda para movimentar dinheiro "sem procedência". "Preciso de um pix pra receber uns US$ sem procedência", escreveu Ygor Fokin Saviolli no chat de um grupo e recebeu como resposta os dados completos da empresa, incluindo o número do banco, agência, conta corrente e CNPJ da mesma. Em outubro de 2023, Saviolli foi preso no aeroporto de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. A apreensão do celular dele revelou um “vasto acervo” de imagens, comprovantes bancários e negociações de drogas, segundo as investigações. Isso levou ao compartilhamento das informações entre as autoridades americanas e brasileiras desde então. Já a Victory Trading tem como sócio administrador o empresário Victor Shimada, apontado como o “doleiro” líder do esquema e considerado foragido da Justiça brasileira. No início do mês, ele e a sua empresa foram sancionados pelos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Este foi o primeiro bloqueio determinado pelo governo americano após a decisão de declarar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em junho. De acordo com um relatório de inteligência financeira, a Victory Trading chegou a converter 32,8 milhões em criptomoedas para transferi-los ao exterior. Segundo as apurações, a quadrilha movimentava dinheiro em oito cidades norte-americanas — Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles — a partir das duas empresas sediadas em São Paulo. A Victory ficava em um escritório em um prédio empresarial na região da Av. Faria Lima, centro do mercado financeiro na capital; e a Hi Quality no bairro da Mooca, na Zona Leste. As duas empresas possuem o mesmo contador, que também foi alvo de mandado de prisão temporária na última sexta-feira - assim como Shimada e Saviolli. Além das duas empresas, Shimada chegou a movimentar R$ 75,2 milhões em contas associadas a ele, segundo relatório do Coaf. Em conversas interceptadas pela PF, ele aparece dando ordens para o transporte de valores em espécie no Brasil — "entrega tudo com todos os dólares e enche o tanque" —, e pedindo à sua secretaria que organizasse planilhas de pagamentos. "Fecha Ema de março. Todos os TK (token, chaves de criptomoedas). Planilha EUA, Portugal e outros. Separados e depois total do mês", instrui ele. A inclusão de Shimada na lista de sancionados do Departamento do Tesouro americano ocorreu alguns dias antes da deflagração da Operação Exchange, o que culminou com a sua fuga e levou a críticas de investigadores da PF. — De fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro, talvez tivéssemos localizado essa pessoa e, infelizmente, não localizamos. Então, houve um prejuízo à investigação — comentou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao ser questionado sobre os impactos das sanções anunciadas pelos EUA. Em nota, a defesa de Victor Shimada afirmou que "eventuais esclarecimentos acerca dos fatos objeto da investigação serão prestados nos autos, nos momentos processuais adequados e perante as autoridades competentes". Em texto divulgado anteriormente, os advogados Yuri Cruz e Marcelo Cruz haviam "negado "veementemente" qualquer envolvimento do seu cliente com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro.

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