Altitude pode dar vantagem de até meio gol ao México contra a Inglaterra, apontam estudos
14h ago
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A Inglaterra terá um adversário extra no duelo contra o México pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Além dos donos da casa, a equipe comandada por Thomas Tuchel precisará superar os efeitos da altitude da Cidade do México, onde o Estádio Azteca está localizado a 2.240 metros acima do nível do mar. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal britânico The Guardian, a condição pode provocar uma queda significativa no desempenho físico de atletas que não estão aclimatados, principalmente na reta final da partida. O motivo está na menor pressão atmosférica. Embora a concentração de oxigênio permaneça a mesma, o ar mais rarefeito dificulta a entrada do oxigênio na corrente sanguínea. — A 2.240 metros, certamente veremos efeitos fisiológicos. O coração precisa bater mais rápido e a respiração acelera para tentar compensar a menor oferta de oxigênio. Mas existe um limite para essa compensação — explicou Neil Maxwell, especialista em fisiologia ambiental aplicada da Universidade de Brighton. Na prática, o desgaste chega mais cedo. Segundo Maxwell, a sensação de fadiga que normalmente aparece nos minutos finais de um jogo ao nível do mar pode surgir ainda durante o primeiro tempo em partidas disputadas nessa altitude. Além da maior frequência cardíaca, os jogadores tendem a consumir mais energia muscular, perder mais líquidos e apresentar recuperação mais lenta entre sprints, fator decisivo em um esporte marcado por acelerações constantes. A pesquisadora Rebecca Neal, da Universidade de Bournemouth, cita estudos indicando que atletas sem aclimatação podem registrar redução entre 3% e 9% na distância total percorrida durante uma partida e uma queda de até 21% nas corridas em alta velocidade. — Eles também mudam o ritmo de jogo e apresentam maior fadiga neuromuscular. Mesmo que a técnica permaneça a mesma, podem precisar recorrer a estratégias diferentes — afirmou. Os números também sugerem um benefício para equipes acostumadas à altitude. Segundo pesquisas mencionadas pelos especialistas, clubes e seleções baseados em regiões elevadas costumam marcar mais gols e sofrer menos quando enfrentam adversários vindos do nível do mar. A estimativa é de que cada 1.000 metros de diferença de altitude represente aproximadamente meio gol de vantagem para a equipe mandante, efeito que tende a aparecer principalmente no segundo tempo. No caso da Inglaterra, a preparação foi limitada. A delegação só chegou à Cidade do México dois dias antes do confronto por causa do calendário da Fifa. Para Rebecca Neal, o cenário ideal seria um período de até quatro semanas de treinamento em altitude antes do torneio, algo impossível nesta reta final da competição. Maxwell acrescenta que existe um mito de que o corpo levaria 24 horas para sentir os efeitos da altitude. — Isso não é verdade. O organismo começa a reagir imediatamente. Em cerca de seis horas os atletas já percebem os efeitos da menor disponibilidade de oxigênio. Os impactos não ficam restritos ao organismo dos jogadores. A menor densidade do ar também altera o comportamento da bola. Segundo Barton Smith, professor de engenharia mecânica e aeroespacial da Universidade Estadual de Utah, o ar na Cidade do México é cerca de 25% menos denso do que ao nível do mar. Isso reduz a resistência do ar e diminui o chamado efeito Magnus, fenômeno responsável pelas curvas em cobranças de falta e chutes com efeito. — A bola tende a fazer menos curva. Isso reduz a possibilidade de finalizações com maior efeito e exige adaptação dos jogadores — explicou. Sem tempo para uma adaptação fisiológica completa, a saída passa pela estratégia. Os especialistas recomendam que a Inglaterra mantenha boa hidratação, economize energia, diminua a intensidade da pressão alta e utilize mais trocas durante o segundo tempo. — A equipe precisa focar naquilo que consegue controlar. Talvez seja necessário pressionar menos, manter mais posse de bola e escolher melhor os momentos para acelerar o jogo — avaliou Maxwell.
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