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A vacina contra tuberculose pode reduzir o risco de Alzheimer em idosos, mostra novo estudo

2h agopt

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Extra OnlineA vacina contra tuberculose pode reduzir o risco de Alzheimer em idosos, mostra novo estudoglobo.com
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A vacina BCG — administrada para prevenir a tuberculose — pode remodelar o ambiente imunológico do cérebro humano, oferecendo uma possível explicação para associações observadas anteriormente entre a vacinação com BCG e um menor risco de doença de Alzheimer. A conclusão é de um estudo liderado por investigadores do Mass General Brigham, principal sistema de saúde afiliado de ensino da Harvard Medical School, publicado na revista científica Communications Medicine. Marcio Atalla explica: Qual o impacto das fibras no funcionamento do organismo? Ondas de choque e balão: hospital brasileiro testa com sucesso novo tratamento para desobstruir placas de gordura nos vasos O trabalho, com duração de um ano, constatou que a BCG promoveu uma maior capacidade de resposta nas células imunológicas que circundam o cérebro e modificou biomarcadores relacionados ao Alzheimer em idosos sem evidências a doença, mas não naqueles que apresentavam evidências da demência por meio de biomarcadores. "O sistema imunológico e o cérebro podem estar muito mais conectados do que imaginávamos", afirma o autor sênior e coautor correspondente Steven Arnold, diretor administrativo do Interdisciplinary Brain Center do Mass General Brigham Neuroscience Institute. "O próximo passo é testar isso rigorosamente em estudos maiores e controlados, particularmente no contexto da prevenção, com a esperança de preservar a saúde cerebral antes que a doença de Alzheimer se desenvolva de forma significativa." Pesquisas anteriores envolvendo modelos pré-clínicos, estudos retrospectivos e ensaios clínicos randomizados sugeriram que a BCG pode reduzir o risco de Alzheimer e induzir a chamada "imunidade treinada", reforçando as defesas contra infecções não relacionadas e auxiliando no controle dos níveis de glicose no sangue. A maior parte das pesquisas anteriores sobre imunidade treinada concentrou-se no sangue, deixando incerto se a BCG também influencia as células imunológicas presentes no líquido que circunda o cérebro e a medula espinhal. Em busca de respostas, a equipe de pesquisa conduziu dois ensaios clínicos relacionados, de um ano de duração e do tipo aberto sobre a imunoterapia com BCG em 23 adultos com 55 anos ou mais. A coorte incluiu 11 adultos com patologia de Alzheimer e 12 sem a doença. Amostras de líquido cefalorraquidiano (LCR) e de sangue periférico foram coletadas dos participantes em intervalos regulares após a vacinação. O estudo, liderado pelos coautores principais Marc Weinberg, Mahesh Chandra Kodali e Zhaozhi Li, constatou que a BCG promoveu respostas imunológicas aprimoradas a outros desafios imunológicos, sugerindo efeitos mais amplos na função do sistema imune. Vale ressaltar que a resposta imune intensificada não foi acompanhada por um aumento nos marcadores inflamatórios, os quais constituem um fator de risco conhecido para a neurodegeneração. A vacina BCG também alterou os níveis de beta-amiloide (um biomarcador fundamental da doença de Alzheimer) no líquido cefalorraquidiano e na corrente sanguínea. Em participantes sem Alzheimer, os níveis de amiloide diminuíram significativamente no líquido cefalorraquidiano, ao mesmo tempo em que aumentaram nas amostras de sangue ao longo de 12 meses. Essa alteração no equilíbrio não foi observada em participantes com a patologia de Alzheimer, indicando a ausência de efeito mensurável nesse grupo e sugerindo que o momento da administração da BCG pode influenciar a dinâmica inicial da doença e a depuração de proteínas do sistema nervoso central. Os autores observam que são necessárias mais pesquisas, incluindo estudos controlados por placebo, para investigar a relação entre a BCG e a doença de Alzheimer. Eles também ressaltam que o estudo avaliou uma estratégia de vacinação específica em idosos e não analisou o efeito da vacinação com BCG na infância, como acontece no Brasil. "Tradicionalmente, as vacinas são vistas sob a ótica da prevenção de doenças infecciosas", afirma Weinberg, que contribuiu para o estudo enquanto atuava como pesquisador na Mass General Brigham. Atualmente, Weinberg trabalha na AbbVie. "Embora sejam necessárias mais pesquisas, essas descobertas sugerem que elas também podem influenciar processos biológicos envolvidos no envelhecimento cerebral e em doenças neurodegenerativas."

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