As maiores estrelas do tênis masculino não tiveram bom desempenho na edição de 1996 do Torneio de Wimbledon, no Reino Unido. Os feras André Agassi, Yevgeni Kafelnikov e Michael Chang caíram todos no primeiro round. Boris Becker saiu contundido no terceiro round, e o americano Pete Sampras, maior vencedor da grama britânica na época, rodou nas quartas-de final. A grande decisão do evento coube a dois atletas que não atrairiam muito dinheiro de apostas: o americano MaliVai Washington e o holandês Richard Krajicek (algoz de Sampras). Mas a maior surpresa ainda estava por vir. João Fonseca: Prodígio brasileiro perde na terceira rodada em Wimbledon Atentado em quadra: O fim melancólico do homem que esfaqueou Monica Selles Minutos antes de começar a final, naquele domingo de 7 de julho de 1996, há exatos 30 anos, os dois tenistas posavam para fotos na quadra principal do All England Lawn Tennis and Croquet Club quando uma mulher branca e loura, de aparência jovem, surgiu correndo no gramado usando nada além de um avental de garçonete cobrindo as partes íntimas. As arquibancadas lotadas caíram pra trás quando a moça, sorrindo de uma orelha a outra e agitando os braços, levantou a única peça de tecido que havia em seu corpo. Sentado em meio à plateia, o príncipe Edward, duque de Kent, não parava de rir. Melissa Johnson correndo em Wimbledon: 'Eu fiz só para dar risada' Não informado Aquela era a britânica Melissa Johnson, de 23 anos, que trabalhava no buffet contratado para servir os atletas e funcionários nos bastidores do evento. Em entrevistas posteriores, ela disse que decidiu resgatar a tradição do "streaking" (correr sem roupas em um local público) apenas por diversão. História das Copas: Imagens mostram reação após eliminação do Brasil desde 1950 Batalha de Santiago: Relembramos a partida mais violenta já vista numa Copa, em 1962 "Eu sou uma garota atrevida, tenho um lado selvagem. Eu disse para as pessoas que estavam trabalhando comigo: 'Eu vou fazer isso, eu vou tirar meu uniforme''", contou a inglesa então recém-formada no curso de Design da Universidade de Manchester. "Meus empregadores ficaram irritados. Eles exigiram meu avental de volta. Acho que isso significa que eu estava sendo dispensada (risos). Mas tudo bem, eu fiz só para dar risada, apesar de ter sido encorajada por todos os colegas. Eu sabia que isso nunca tinha sido feito, e alguém tinha que fazer, não é?". Melissa Johnson, de 23 anos, corre nua na quadra de Wimbledon, em 1996 Foto de arquivo/AFP "Quando vi os jogadores entrando, pensei: 'É agora ou nunca', e apenas fui. Não fiquei envergonhada", contou a britânica, que, após segundos correndo nua pela quadra, foi escoltada a um posto policial, onde ficou até a partida acabar. Ela foi multada em 200 libras esterlinas e liberada. Muita gente considerou a aventura de Melissa o ponto alto daquela final, que terminou com vitória fácil de Krajicek por 3 sets a 0 (parciais de 6-2, 6-4, 6-3). Até hoje, o desfile da garçonete é considerado um dos momentos mais marcantes na história do torneio realizado desde 1877. Todos os anos, no início de Wimbledon, a imprensa esportiva publica listas de episódios inesquecíveis do campeonato. Em meio à primeira vitória de uma tenista negra (Athea Gibson, em 1957), o tie-break épico entre Bjorn Born com John McEnroe, em 1980, e a final de 4h55m de duração entre Roger Federer e Novak Djokovic, em 2019, sempre aparece o capítulo protagonizado por Melissa.
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